25 de fevereiro de 2014

Mansão Dorf (Dentro do espelho. - Cap. 3)

Antes de tudo, gostaria de dizer que esse capítulo da história da Mansão Dorf teve a colaboração do meu cunhado Giulian (o personagem principal de "A pena e a carta dos Deuses"), que felizmente sonhou com toda essa história e me contou detalhadamente.
Valeu cunhado, espero ter reproduzido o mais parecido possível!!!

                Quando se levantou do banco e deixou o menino sozinho, sabia exatamente o que tinha que fazer, sabia que seria uma missão complicada e que possivelmente não voltaria com vida, mas mesmo assim decidiu cumpri-la, seu desejo de ajudar a cidade de Canavial não era tão forte quando o desejo de libertar aquele inocente garoto de seus piores pesadelos.
                Em um ritual de mudança de plano, utilizando o espelho como fonte de energia do destino, Giovani lê em um pequeno pedaço de papel algumas poucas palavras em latim e logo sente sua alma se esvaindo de seu corpo e sendo arrastada para aquele pequeno pedaço de espelho. Todos os gritos e vozes que ouvia antes não eram nada perto do que vê agora.
                Um grande lugar aberto, com montanhas de pedras, vários seres trabalhando forçadamente com um tipo de mineração, de pequenos até gigantes monstros, parecia uma enorme fábrica e os operários eram os escravos, com enormes correntes que os seguravam ali. Em alguns momentos via-se alguns tipos de engrenagens que apareciam do nada e voavam em direção aos escravos ferindo-os, como lâminas. Enormes paredes cercavam o lugar e em cima delas era possível perceber guardas, não humanos. O céu não era céu e sim um grande amontoado de nuvens cinzas e negras, o chão era quente e seco, todo o sangue derramado dos escravos o solo absorvia, era o alimento daquele lugar, o cheiro era horrível, ali não era o inferno, mas devia ser bem perto dele.
                Giovani caminhava atentamente, indo em direção a um lugar que parecia ser a saída daquele imenso campo de trabalho, haviam algumas casinhas ao longe e logo viu um escravo conseguindo escapar, os guardas voltaram seus olhares para o fugitivo e viram um intruso no campo. Um longo grito e várias flechas começaram a ser atiradas para cima de Giovani, o fugitivo morreu com a primeira engrenagem que o atingiu e logo foi totalmente drenado para o solo, sobrando somente os ossos e a pele.
                Correndo como jamais precisou Giovani conseguiu chegar a saída e percebeu estar em um corredor com várias portas, sentiu que estava em um outro lugar, como um teletransporte, ali havia um pequeno animal, parecido com um cachorro, mas andava sobre duas patas somente, ele se aproximou o animal pareceu inofensivo.
                Na primeira porta aberta Giovani via vários demônios, não tinham olhos, mas possuíam narinas e orelhas protuberantes, ele pegou o pequeno animal inofensivo e o jogou pela porta, o pobre coitado nem caiu ao chão e os demônios o atacaram, em segundos só havia sobrado o crânio, a porta foi fechada e ele foi para a segunda opção, mas também não o agradou, quando chegou à terceira porta percebeu que os guardas estavam chegando perto, então pulou ali mesmo para fora do corredor, mas talvez devesse ter escolhido outro lugar.
                Caindo no chão Giovani se assustou, pois não havia nenhum demônio, apenas grandes montanhas e um pequeno aglomerado de edificações. Ele andou durante um tempo e logo ouviu barulhos, olhou para os lados e quando olhou para cima viu algo pulando das montanhas, correndo muito em sua direção, ao virar-se novamente e ameaçar correr um demônio humanoide parou na sua frente e o tocou, nesse momento ele sentiu uma febre muito alta, seus olhos queimavam, seu coração acelerou e ele ouviu um sussurro “Fuja dos médicos, eles te matam com um só toque”.
                Médicos, por isso eles se chamam assim, seu corpo é humanoide, mas são os únicos que possuem a pele branca nas costas e no peito, como um jaleco e também no rosto como uma máscara, eles tem o poder de fazer o inverso que os médicos, eles matam ao invés de curar. Giovani precisava correr, precisava dar um jeito de não morrer, olhava para trás e via os guardas se aproximando, sua respiração estava ruim e seu coração acelerava cada vez mais, seus braços começaram a formigar e sua última força usou para pular por cima de um muro e cair em uma espécie de quarto..
                Este quarto, visto de fora parecia apenas uma construção inacabada, sem telhado ou pintura, mas ao cair lá dentro a visão era totalmente diferente, o quarto era grande, todo pintado de branco, com telhado e sem janelas, havia uma cama no quarto onde repousava um garoto, ele era completamente careca, sem pelos nas sobrancelhas e cílios e estava amarrado à cama com correntes muito pesadas, seus pulsos apresentavam sinais de que tentou se soltar e no chão tinha pedaços de correntes mais finas fixadas, haviam um total de sete restos de correntes, todas bem menores do que a atual. Ao se aproximar do garoto Giovani sentia sua saúde melhorar, seu coração parou de acelerar e os braços não formigavam mais, aquele garoto talvez fosse a salvação, tirou as correntes e agora forte e regenerado carregou o garoto com ele despistando os guardas que não o encontraram quando pulou no quarto.
                Sempre atento Giovani percebeu que nunca se cansava, mesmo carregando o garoto no ombro ele se sentia bem, andou por muito tempo até quase pisar em um minúsculo ser de asas que estava no chão.
- Ei, olha por onde anda grandalhão. – reclamou o monstrinho que logo parou, olhou e continuou. – Este é... é... este garoto é quem estou pensando? Ele é nosso salvador? Ele que é mencionado na profecia?
- Que profecia? Que salvador? Me explique essa história.
- Existe uma profecia que diz que para derrotar o Mal Supremo é necessário que um guerreiro esteja portando alguns itens especiais, que só podem ser criados por esse garoto aí, em conjunto com os sete anões ferreiros, Mindro, Gahn, Létia, Prosk, Brack, Quin e Zidra. O Mal Supremo é capaz de acabar com uma vida apenas de aproximar-se dela, ele deteriora tudo o que é vivo, possui uma aura capaz de aniquilar qualquer bondade, todos tem medo dele e esperam o dia que ele seja derrotado, ou aprisionado para sempre. Este lugar que estamos era uma prisão para espíritos e demônios que foram capturados por caçadores durante os milênios, até que ele chegou e tudo começou a mudar, espíritos malignos e demônios se uniram a ele e formaram um exército negro capaz de tudo para sair daqui. Os sete anões e esse garoto são nossa salvação, você é o bravo guerreiro que empunhará a arma e vestirá a armadura para derrotar o Mal Supremo.
- Como encontro os anões, não sei se percebe, mas estou com pressa.
- Eles só podem ser encontrado se estiver com um mapa, um mapa especial que o Mal Supremo escondeu em seus aposentos, naquele castelo.
- Como entro lá?
- Não possui guardas, só de se aproximar do castelo um medo toma conta e ninguém consegue passar, talvez carregando o garoto essa magia não te... – Giovani corre antes mesmo do pequeno terminar a frase.
                Já no castelo Giovani entra sem nenhum problema, sobe as escadas e chega em um quarto com várias garrafas cheias de sangue, sem cama, apenas com símbolos de ocultismo desenhados no chão e nas paredes, tudo era escuro e ouvia-se alguns gemidos de dor, mas não havia ninguém ali. Em uma das paredes estava um mapa pendurado, ao tocá-lo teve uma visão em forma de luzes coloridas no céu, se batendo em uma luta longa, sentiu que eram os sete anões e pegou o mapa.
                Em uma estante haviam pequenas esculturas do garoto que ele estava carregando, de sete anões e do ser conhecido como Mal Supremo, além do mapa, Giovani também pegou a escultura do garoto e em um momento de raiva derrubou a escultura do inimigo e saiu andando com o garoto no ombro. Sua entrada ativou uma armadilha que fez com que o dono do quarto soubesse do intruso e saindo do castelo ele viu seu inimigo se aproximando, saiu correndo, lembrou que não estava se cansando e correu com toda a velocidade até se afastar do castelo, abriu o mapa e no céu viu uma imagem enorme de um rosto se formar em fogo e falar.
- Você está me desafiando em meu reino, aqui é meu lugar e ninguém sai vivo a não ser que eu queira, se tenta salvar essa cidadezinha, será em vão, aqui eu reinarei, será meu quartel no plano terrestre, de onde enviarei meus exércitos para dominar o resto do seu mundinho querido. Deus não existe aqui e nem você, nem sete anões e muito menos esse garoto irão me derrotar. – Então o fogo se apaga e a atenção é voltada para o mapa novamente.
                Em pouco tempo Giovani conseguiu reunir todos os anões, o garoto e um outro demônio que ele encontrou no caminho que sabia tudo o que ele precisava perguntar sobre os o Mal Supremo, sobre seus planos e sobre essa prisão e com isso também descobriu que todos os demônios e espíritos que já matou, na verdade não morreram, vieram para cá, por sorte é um plano muito grande e ele não encontrou nenhum, mas essas revelações mudariam tudo sobre ser um caçador como ele era.
                Com todo o grupo formado os anões guiaram até uma forja e lá fizeram seu ritual e dali saiu uma pequena adaga, uma bola de vidro e um colar com um pingente que emanava magia, na criação dos itens foi usado o sangue do caçador, só ele e sua linhagem poderiam usar aqueles itens.

                Com a coragem de um caçador e os itens ali forjados, Giovani parte ao encontro do Mal Supremo.
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