23 de abril de 2018

Serenia - o Lar das sereias. (Cap 1. - Uma ajuda que vem do Mar)


Diversos marinheiros contam histórias, muitos pescadores diziam tê-la visto e muitos homens sonhavam em um dia encontrá-la, alguns para dissecá-la, outros pela sua beleza e sensualidade nada convencional.
            Alguns a chamavam de Sereia, outros poucos de Monstro, mas apenas um homem pôde dizer com certeza seu nome e descrevê-la como ninguém.
            Ela vive no oceano, cada um que a viu cita um lugar diferente do encontro, mas nenhum jamais conseguiu chegar perto ou sequer olhar para uma imagem muito nítida da sereia, pois ela sempre foge com certa rapidez.
Um dia estava no oceano quando um barco muito bonito afundou misteriosamente, devido ao seu conhecimento das águas, ela percebeu que o que aconteceu não foi natural, algo muito ruim causou aquele acidente, no momento ela até conseguiu ouvir um som muito alto de baixo da água.
Dentro do barco estava um homem chamado Pietro, que havia saído pelo mundo em busca de aventura, já havia cruzado os mares e terras de vários lugares. Pietro foi socorrido pela sereia, mas o barco não resistiu e afundou no mais profundo oceano.
Em algum lugar, alguma ilha desconhecida, Pietro acorda e vomita um pouco de água para o lado. Ao levantar muito rápido, sente vertigem e cai sentado novamente, olha tudo a sua volta, mas continua sentado por um tempo. Ele sabe que estava longe de onde o acidente aconteceu e não faz ideia de como foi parar ali, até ver uma menina, de pele brilhosa e escamosa, no meio do mar, de certa forma era até estranho achá-la tão linda, mas logo ela se aproximou dele, nadando muito rápido e foi difícil não notar que a menina tinha uma cauda de peixe, extensa e tão brilhosa e linda quanto ela, ela não usava nenhuma roupa, seus seios estavam à mostra, mas não eram nem notados pelo aventureiro Pietro diante de sua beleza excêntrica.
A sereia tenta se comunicar com Pietro, mas a única coisa que ele ouve é um canto lindo e suave que penetra sua mente, mas que não entende absolutamente nada do que é falado, como se fosse em uma língua de outra região, então ele sinaliza para ela e tenta falar também, mas ela ouve normal a voz dele, que logo se apresenta.
Pietro perguntou sobre o que aconteceu com o seu barco e de forma rustica e infantil ela desenhou algo que parecia significar que ela ouviu um som muito alto que quebrou o barco, pelos seus gestos e afeições. Com a comunicação começando a dar certo por desenhos e frases curtas, logo os dois estavam se conhecendo com ninguém jamais teve a oportunidade de conhecer uma sereia, mas nesse momento um felino imenso surge na praia e ela puxa Pietro para a água e o afunda, e no momento que tenta falar para que Pietro tranque a respiração, ele consegue ouvir a voz suave da sereia normalmente, em baixo da água e percebe que talvez por esse motivo não ouça o que ela diz, porque não é o ambiente dela, após descobrir isso eles conseguem conversar rapidamente com entendimento melhor, ela se apresenta como Laoma e conta o que ouviu no momento do acidente, que ela nunca salvou ninguém, nunca se intrometeu no destino das pessoas, mas que nesse caso ela suspeita que alguém de outro mundo estivesse atrás de Pietro por algum motivo, o barulho era muito forte e parecia um trovão, mas com o céu limpo e o mar calmo, o barco, pela descrição da sereia, se partiu ao meio sem oferecer nenhuma resistência, como se fosse de papel. Pietro, assustado com a história, entregou à Laoma uma moeda, uma moeda de prata com um desenho de um animal parecido com um camaleão de um lado e do outro uma coroa, mas a sereia não tocou na moeda com receio do que era aquilo, mas que ela com certeza sabia que era um item mágico de muito poder.
Durante o tempo que nadavam para mudar de lugar, por conta do felino, a conversa se prolongou e acabou entrando no assunto da existência de sereias, que Pietro estava desconfortável de perguntar, mas ao fazê-lo Laoma diz que já esperava esse momento, então ela contou o que ele queria saber, lhe disse que as sereias são imortais em seu mundo, chamado de Serenia, mas que por um longo período elas estavam a salvo, até que as dimensões começaram a se cruzar, seres de outras dimensões apareciam em Serenia e sereias foram levadas a outros mundos, como ela, mas que aquele mundo tinha uma atmosfera muito hostil para seu corpo e com isso ela tinha um curto tempo de vida, então vivia tentando conversar com alguém sobre isso, para que pudessem fazer algo para salvar os mundos, mas que ninguém nunca a ouvia e só queriam caçá-la ou bater fotos e que agora ela entende o porque, sua voz fora da agua é ouvida como um canto para os humanos.
Laoma contou tudo à Pietro e sem esconder nenhum detalhe lhe pediu para fazer algo, mas nesse momento ele subiu a superfície para respirar antes de continuar a conversa e quando abaixou viu a sereia sendo atacada por um ser invisível, podia perceber o movimento da água em volta do que fosse que a atacava e quando pensou ser tarde demais Laoma abriu os braços e soltou um grito muito alto, que mesmo embaixo da água Pietro teve que tapar os ouvidos, nesse momento ocorreu uma explosão muito forte sob o mar e uma bolha gigante de ar se formou e estourou percorrendo muitos metros, talvez quilômetros pela força da explosão. Pietro sobreviveu, mas seu corpo sofreu muitos traumas internos, ele começou a se afogar, seus braços não se moviam mais, já sem o agressor à atacando Laoma leva Pietro muito rápido para um lugar cheio de gente, arriscando sua própria vida e nadando tão rápido quanto um jato de guerra voa nos céus.
Ao chegar em um píer e jogar Pietro sobre as madeiras da ponte a moeda caiu do bolso de Pietro e a sereia logo a pegou para não deixar afundar e foi nesse momento que ela entendeu o que era a tal moeda, era conhecida como “monetae talpa”, ou em português Moeda Camaleão. O corpo escamoso e brilhoso de Laoma se muda para uma forma humana, sua calda é dividida em duas partes e recolhida para atingir o tamanho de pernas humanas, seus pés logo se formam e suas mãos perdem as membranas entre os dedos, mas o problema disso é que ao se transformar ela perdeu a habilidade de nadar, não sabia como nadar com aqueles membros diferentes e só conseguiu não morrer afogada até alguns pescadores a socorrerem, ela ganhou uma toalha para se cobrir pois estava completamente nua. Laoma contou que o homem se chamava Pietro e todos a entenderam, sua voz também havia sido alterada para voz humana e ela terminou a história dizendo que houve um naufrágio e que Pietro estava muito machucado, eles foram levados por uma ambulância e logo estavam no hospital, Pietro não suportou os traumas e morreu no dia seguinte, mas houve tempo para que ele dissesse à sereia uma coisa muito importante, ele deu à ela um nome, Gabriel Bruno Almeida e disse que ele deveria ajudá-la a resolver o problema dela com essa confusão nos mundos e dimensões, pois ouviu muitas histórias em suas viagens pelo mundo.
Saindo do hospital, ainda sem muitas informações e nem conhecimento do mundo que estava, sofreu por vários dias, por vários motivos, mas logo conseguiu descobrir onde encontrar o tal Gabriel e partiu em sua jornada como humana em mundo de humanos que na maioria das vezes não se comportam como humanos.

5 de janeiro de 2018

Caminhos Cruzados (4.7.14 – Em busca do equilíbrio próprio)

                Após muitas buscas por livros, pergaminhos e todo tipo de inscrição antiga para entender o que está acontecendo, Kelson  volta no tempo, muito tempo antes, voltando cada vez mais, próximo de pirâmides no Egito, até que encontrou um Faraó, com um cajado pontudo e o questionou sobre a existência de itens mágicos no Egito, o Faraó, não sendo bem receptivo enfiou a ponta do cajado na barriga de Kelson e o deixou para morrer no deserto.
                Giulian sentiu um formigamento estranho em sua barriga, aquela ferida agora sangrava, estava aberta e com areia em volta, ele logo pensou que o Faraó estava mandando uma mensagem, algo como voltar a usar os itens, mas não comentou com ninguém, fez curativos e escondeu dos outros.
                Karina estava preocupada porque Kelson não voltava e questionou Gabriel, que também não fazia ideia de onde o viajante estaria, então foi perguntar ao Giulian, que por sua vez teve um lampejo do sonho, mas dessa vez não era ele morrendo no deserto e sim Kelson.
- Giulian, você está bem? Você apagou, eu te perguntei do Kelson e você desmaiou.
- O que? O que aconteceu? – Diz Giulian se levantando do colo de Karina e com dor na cabeça – Eu não sei, tive uma sensação estranha, um sonho, ou lembrança.
- O que você viu? – pergunta Gabriel interessado e assustado.
- Vi o Kelson sendo apunhalado por um Farao no Egito, próximo de umas pirâmides, assim como eu fui em um sonho há um tempo atrás, quando ganhei essa cicatriz. – Giulian mostra a ferida retirando os curativos – Mas hoje ela voltou a sangrar do nada, será que algo aconteceu com ele?
- Gabriel, ele não disse onde ia?
- Não, ele apenas disse que ia buscar mais informações, não sei onde.
- Ele deve ter voltado no tempo, deve ter ido atrás do Farao, mas porque o sonho e o que aconteceu com ele foram exatamente a mesma coisa? Será que a linha temporal atual que ele está é a que eu estava quando fui atingido e por algum motivo eu fiquei com a marca e a lembrança  e ele não?
- Mas se foi isso, então ou ele morreu e continuou nos ajudando por existir em varias linhas temporais, ou ele se salvou de alguma forma, como alguém se salvaria disso? Isso é impossível, nem tem como saber onde e quando ele está, só um Deus poderia salva-lo.
- Isso mesmo Karina e esse Deus sou eu, eu tenho o poder de dois Deuses na mão, é só usá-lo. – Fala Giulian já pegando os dois itens.
- Será que isso pode dar certo? Será que não afetara ainda mais o equilíbrio?
- Não sei Gabriel, só sei que temos que fazer algo, e algo significa usar a pena e a carta.
                Em comum acordo, Giulian pega a pena, rasga um pedaço de rascunho, pede que Kelson seja trazido para perto deles sem nenhum ferimento e como esperado, não surte efeito, então coloca o rascunho no envelope, que logo o consome e Kelson aparece deitado no chão, estirado, mas sem nenhuma ferida.
- Kelson, você está bem?
- Eu estou sim, porque estou aqui? Estranho, eu estava buscando respostas e simplesmente não lembro de mais nada.
- Giulian, foi isso que aconteceu, quando o trouxe de volta sem nenhum ferimento, a pena e a carta fizeram com que aquilo nunca tivesse acontecido, porém o equilíbrio seria bagunçado, então uma “cópia” sua foi colocada no lugar, foi ferida mortalmente e deixou essa cicatriz no seu verdadeiro corpo físico, talvez essa seja sua magia, seu motivo de existência, talvez você tenha a capacidade de se colocar no lugar dos outros, de absorver os problemas para você mesmo, mesmo não sendo exatamente você.
- Isso quer dizer que eu poderia ter salvo a Pamela? – Giulian entristece ao lembrar da amiga e pensar que poderia tê-la salvado.
- Talvez Giulian, não temos como saber, as coisas acontecem como acontecem porque o tempo passa, simplesmente passa, não volta, não para, só anda, exceto para mim. O que aconteceu tinha que acontecer. – Diz Kelson tentando animar o amigo, mas sem muito sucesso.
- Pensando por esse lado então, eu posso usar a pena e a carta, criar uma “cópia” minha para absorver todo o poder gerado, e eu continuarei vivo e usando os itens, mas qual seria a minha limitação?
- Em primeiro lugar, como você faria isso? Em segundo, será que isso não consome aos poucos quem é você de verdade? Não diminui sua humanidade ou o torna algo diferente? – Pergunta Kelson.
- Por isso você não existe, porque você pode morrer ou viver quantas vezes quiser, deixando somente uma linha existente de tempo, somente um Giulian no universo cheio de vários eus, várias Karinas, vários Kelsons. Mas não podemos nos precipitar, precisamos descobrir como funciona isso.
- Mas gente, só pra eu entender tudo, como começamos toda essa conversa? Como descobriram tudo isso? – Pergunta Kelson, sem entender ainda como tinha chegado ali.

                Os três explicaram para Kelson tudo o que aconteceu, que voltou no tempo para entender e descobriu uma verdade já esquecida sobre ele também, ele percebeu que o momento em que se tornou o próprio tempo, que deixou de existir no mundo físico foi exatamente naquela linha do tempo, por esse motivo seu caminhos foram cruzados, pois o problema causado pela pena e a carta foi o gatilho para acabar com o equilíbrio dos poderes de Kelson, agora ele precisará encontrar novamente esse equilíbrio próprio para voltar a ser quem era e se lembrar da sua idade e sua origem.

19 de julho de 2017

Conhecendo um Viajante do Tempo!


Não que eu nunca tivesse pensado na existência deles, muito menos que eu não acreditasse em seres sobrenaturais, mas nada se compara a oportunidade de vê-lo, cara a cara, sentir sua presença quando seus olhos cruzaram os meus. Gente, isso não é uma história de amor, alguns poderiam dizer que é de terror, eu acho que simplesmente é uma história fantástica na qual eu fiquei fascinado e gratificado por ter presenciado.
                Eu estava circulando pela cidade, com minha esposa no carro, nós havíamos saído para nos divertir um pouco e já na madrugada voltávamos por uma conhecida avenida. Como durante a madrugada muitos andam bêbados, eu estava receoso, dirigindo devagar e tranquilo quando avistei mais de longe uma pessoa, parecia um senhor, andando de um jeito estranho, querendo atravessar na faixa de pedestres. Nesse exato momento senti a mão de minha esposa em meu braço, diminui a velocidade do carro e ao se aproximar mais daquela pessoa, percebemos que estávamos falando de algo bem diferente.
                Chamarei de “ele”, pois não sei do que se tratava, tinha pernas como dos antílopes, com os joelhos voltados para trás, seu corpo era um tom de cinza ou algo parecido, mas também um pouco translúcido, estava de noite e acabei de me lembrar que chovia também. Víamos as gotas de água pingarem em seu corpo como se estivéssemos vendo tudo ampliado, como se víssemos com nossas mentes e não com nossos olhos.
Enquanto observávamos, o tempo pareceu estar em câmera lenta, me sentia naqueles filmes que o tempo diminui a velocidade e o homem aranha consegue escapar de um soco, ou o flash consegue ver um projétil percorrendo todo o caminho até segurá-lo com as mãos.
                Pois é, “ele” estava atravessando a rua, quando olhou para nós, percebemos que usava um tipo de máscara de respiração mais evoluída, ou talvez fosse uma parte do seu rosto mesmo, seus olhos eram profundos e minha esposa se assustou ao cruzar olhares com “ele”, virou para o lado com o rosto, diz ter visto coisas quando seus olhares se cruzarem, seriam visões, conhecimentos ocultos, uma forma de comunicação talvez, mas eu continuei olhando, quando “ele’ voltou a olhar para frente de novo surgiu uma luz clara ao mesmo tempo intensa, difícil descrever, e “ele” simplesmente andou em direção a ela e sumiu, como um portal.
Foi uma experiência incrível, assustadora, magica, fantástica. Foi simplesmente surreal e muito real ao mesmo tempo, no momento que ele entrou no portal o tempo voltou a correr, eu simplesmente continuei dirigindo e percebi que tudo se passou muito rápido, o horário não tinha passado, havíamos ficado minutos ali observando, sendo observados, mas o tempo não passou sequer um segundo.
Minha esposa ainda não entende o que viu, suas lembranças das visões ainda estão cobertas por uma névoa, não faz ideia do que era, mas espero que logo possamos descobrir e entender o que aquele ser fazia em nossa cidade.
Sim, acredito agora, mais do que nunca, em seres capazes de viajar pelo tempo, abrir portais e que ao menos alguns não nos querem mal, porque nós estamos vivos para contar essa história.

“Essa história foi vivida e contada por um casal de amigos muito queridos, questionados sobre a possibilidade de mencioná-los como fonte no texto eles foram categóricos em dizer: “Nós vimos, não temos porque esconder.”

Aí está, Manetti e Michelle, a vivência fantástica que tiveram e que eu tive a honra de reescrever. ”