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Sobrenatural (Parte 10)

25 de agosto de 2011


- Primata, o que conseguimos sobre esse caso? – Pergunta Lacrau.
- Não muito, mas o que temos é muito importante, leia este diário que encontrei e vamos lutar contra o que vem infernizando as nossas vidas à muitos anos.

18/08/2009

                20hrs:
Hoje conheci uma mulher linda, ela se apresentou como Morgana. Estou com grandes esperanças de que ela é a mulher certa para mim, foi muito amigável, conversamos por um bom tempo sobre nossos gostos.
Peguei o número do celular dela e passei o meu, ficamos de marcar um encontro, acho que foi amor à primeira vista.

19/08/2009

                18hrs:
Falamos ao telefone várias vezes durante o dia de hoje, marcamos encontro em um bar na Av Afonso Pena.

                20hrs:
Eu cheguei no bar antes do combinado para pegar uma boa mesa e ir adiantando o pedido de uma porção de pasteizinhos de carne que eu já sabia que ela gostava, pedi também um vinho. Quando ela chegou, demorou apenas alguns minutos para que nossa refeição chegasse.

                23hrs:
A noite foi agradável e não consigo parar de pensar naquela linda mulher que dominou meus pensamentos e me guiou para o mais profundo estado de paixão, em apenas dois dias eu estava bobo por ela.

20/08/2009

                10hrs:
Morgana me ligou marcando um almoço na casa dela. Aceitei de imediato, ela mora sozinha e pode ser a hora certa de chegar nela e dizer tudo o que sinto, espero não tropeçar nas palavras e deixar a entender alguma coisa errada.

                12hrs:
Quando cheguei na casa da Morgana, no horário combinado, eu notei que ela demorou muito para abrir a porta, então achei que ela estivesse se arrumando, pois talvez tivesse se atrasado um pouco com a comida. Ela estava exuberante, abriu a porta e uma luz dominou meus olhos, parecia um anjo, com olhos claros e cabelos loiros.
Almoçamos, um beijo aconteceu, então preferi deixar meus sentimentos para depois e curtir o calor do momento.
A única coisa estranha que achei foi que durante o almoço notei algo parecido com uma unha na comida, eu juro que parecia uma unha, mas fiquei quieto por estar diante do amor da minha vida.

                23hrs:
Escrevo só para dizer que nem consigo dormir pensando na Morgana, acho que vou dar uma volta.

21/08/2009

     05hrs50min:
Acordei cedo, estou escrevendo enquanto o ponteiro menor do relógio nem atingiu o número 6. Eu preciso escrever isso, meu médico me recomendou escrever qualquer coisa que eu achasse que fosse imaginação.
Ontem quando fui passear eu resolvi me aproximar da rua onde Morgana mora, fui de moto e sentei em um banco de praça próximo da casa dela, fiquei olhando tudo e fui surpreendido por uma imagem que passou pela janela da sala.
Eu vi nitidamente uma figura meio humana, mas de aparência monstruosa, parecia que tinha até asas, acho que era um demônio.

16hrs:
Ainda nem liguei para a Morgana, estou com medo, sobram resquícios de meu problema do passado, mas ela me ligou e não atendi, amanhã tenho consulta e vou falar disso para o meu psicólogo.

22/08/2009

                13hrs30min:
Hoje foi minha seção de psicanálise, consegui me desligar daquele medo depois de mostrar este diário e descrever o que vi, o psicólogo me disse que minha paixão repentina pode ter feito com que minha cabeça me enganasse, meio que fosse uma defesa para aquela atitude estranha.
Liguei logo em seguida para a Morgana, já mais aliviado, pedi desculpas por tudo e resolvemos combinar um jantar na casa dela.
Desta vez eu vou levar preservativo e uma roupa extra na mochila, além da escova de dente, vai que rola hoje né.

23/08/2009

                10hrs:
Ontem eu fui para jantar, mas acabei ficando para algo mais, não pude nem escrever no diário porque deixei ele em casa, apesar do meu psicólogo me proibir de fazer isso.
Eu pareço cansado, meio exausto, foi muito boa a noite na casa da Morgana, mas eu não poderia estar tão cansado assim, só sei que quero vê-la de novo, e logo.

                13hrs:
Em uma ligação com Morgana, marcamos, de novo, de nos ver. Vou até a casa dela e levarei as mesmas coisas que ontem, espero que a noite seja maravilhosa como foi, mas admito que estou muito cansado.

                                Obs.: Levarei meu diário desta vez.

24/08/2009

09hrs:
Estou na casa da Morgana escrevendo enquanto não entro no banho, assim ela não precisa saber do meu segredo, mas acredite, a noite foi maravilhosa como no outro dia, estou completamente cansado e ao mesmo tempo extasiado, sinto como se minhas energias estivessem se esvaindo aos poucos, tenho me sentido estranho, mas não consigo parar de querê-la.

                11hrs:
Não sei mais o que pensar, agora pouco eu vi um livro no quarto dela, eu achei estranho porque parecia com coisas demoníacas, havia umas escrituras estranhas, tinha uma marcação e em um momento que Morgana não estava eu resolvi abrir o livro, era um livro que falava sobre rituais demoníacos, era um livro sobre seres sobrenaturais e estava marcado exatamente na Succubus, uma espécie de demônio que usa da sensualidade para chamar suas vítimas, se alimenta de suas energias e depois come a sua carne. Aproveitei que ela tinha saído para comprar almoço e estou escrevendo.
A capa do livro tinha gravado o nome da biblioteca da Universidade Federal e o código “12.B.534C”. Estou apavorado e acho que aquele demônio que vi era a Morgana.

                15hrs30min:
Fingi que nada aconteceu, me despedi da Morgana depois de uma ultima transa, eu estava muito afim apesar do medo, no livro dizia que elas sugam a energia da vítima através de beijos e atos sexuais.
Passei direto na biblioteca e pesquisei sobre o livro, havia outros exemplares, pedi um para ler e também descobri que um rapaz havia pego um desses exemplares e nunca mais devolveu, foi registrado o desaparecimento do garoto uma semana depois.
               
19hrs:
Li o livro, vários cápitulos e agora sim eu tive certeza, ela é realmente essa tal de Succubus, descobri que para matá-la é mais eficaz usar armas abençoadas, então comprei duas facas e pedi para um padre abençoar, mas ele riu de mim e me mandou procurar um psicólogo. Fui embora e resolvi enfrentá-la assim mesmo.
Liguei para Morgana e marquei um encontro para amanhã às 21hr30min, estou descrevendo tudo que tenho feito, porque quem ler este diário poderá usar este conhecimento para enfrentá-la, caso eu morra tentando.

25/08/2009

21hrs30min:
A posição da lua determinava a hora exata, o crepúsculo só trazia maus agouros, na penumbra uma silhueta foi avistada, aparentemente feminina e se aproximando com sensualidade, trajando um vestido curto e bem decotado. Era com certeza o que qualquer homem poderia querer, com seios fartos, corpo definido e lábios carnudos, mas eu sabia do que realmente se tratava, mas infelizmente não pude resistir, mais uma vez.
Hoje quem estiver lendo meu diário deve saber que eu não estou mais entre vocês, apenas agradeço por tê-lo encontrado, quem sabe assim muitas vidas podem ser salvas.
Mais um detalhe, onde encontrou este diário, é exatamente onde fui capturado ou assassinado, guardei junto uma pedra estranha que achei na casa deste demônio, pode ser útil, boa sorte.

- Isso é realmente muito valioso, vamos usar estas informações para caçar nosso inimigo, infelizmente o dono deste diário não escreveu o endereço da casa dela. – Diz Lacrau.
- Certo, mas sabemos como será quando a encontrarmos.
- E a pedra que ele informou é...?
- Exatamente, é Trilde, uma das pedras planares. Já guardei junto com as outras.
- Obrigado Primata, guarde-as bem, use-as somente em ultimo caso, ainda não sabemos o quão boas ou perigosas elas são.
- Não se preocupe Lacrau, agora vamos caçar esse demônio.

Vida "Selvagem" (Patos)

12 de julho de 2011

Uma história que nos mostra mais uma vez que os animais, supostamente irracionais, são mais humanos e racionais do que os próprios humanos.


Esta história se passou em uma chácara de um conhecido, foi contada pelo caseiro, se trata da história de um pato que todos os dias, sem exceção, apanhava de outro pato branco, grande e bonito, enquanto este primeiro era cinza, mirrado e com as penas mal cuidadas.

O pato branco tinha vários amigos que estavam sempre ao lado dele, com isso o pato mirrado ficava excluído, sem amigos e desanimado com a vida.

Certo dia ele sentiu que sua vida ia mudar, enquanto dormia ele sonhou com um grande cisne de penas azuis, de beleza incontestável e que olhou em seus olhos e disse: “Hoje você se sente sozinho e desanimado, mas levante esse bico, pois sua vida irá mudar”.

O pato cinza acordou com um ânimo nunca visto antes, neste dia o pato branco veio para cima dele, como de costume, e quando ele se sentia forte o suficiente para reagir, levou mais uma surra, pois por mais animado que estivesse não era páreo para seu inimigo. Desanimou novamente e apenas seguiu os passos dos outros patos que iam banhar-se no rio próximo.

Todos os patos seguiam o branco para dentro do rio, enquanto o cinza ficava na beira esperando, com medo de ser atacado em pleno banho e acabar morrendo afogado, mas aquela voz sussurrou novamente em seu ouvido a mesma frase e neste momento uma grande sucuri gigante surgiu tentando abocanhar um dos patos e todos se espalharam, quando a sucuri parou e começou a enrolar alguma coisa todos avistaram, era o pato branco, mas ninguém foi ajudá-lo, os seus amigos correram voando, fugindo para longe do rio.

O Pato cinza vendo aquela cena não se sentia bem em deixá-lo morrer ali, daquele jeito trágico, apesar de sempre ter pensado no dia que isso aconteceria, então ele abriu suas asas, correu em direção ao rio e caiu com as garras em cima da sucuri, começou a bater com seu bico e asas, seu esforço parecia não resultar em nada pois a sucuri afundou com o pato branco e então ele avistou a sucuri indo embora e logo o pato branco aparece boiando, machucado, mas vivo.

Esta história foi contada pelo caseiro de uma chácara, que viu a cena e não acreditou, daquele dia em diante, não só o pato mudou sua vida, como o caseiro também.

A pena e a carta dos Deuses (Parte 2).

24 de junho de 2011

                Giulian estava dormindo, a pena e a carta estavam sob seu travesseiro e logo um sonho.
                “Giulian andava pelas areias do Egito, ao passar diante de uma grande pirâmide um faraó aparece caminhando, ao se aproximar do garoto o faraó olha em seus olhos e enfia a ponta afiada de seu cajado na barriga de Giulian e o deixa para morrer nas areias do Egito.”
                Com o susto, o menino acorda sentindo uma forte pontada na barriga e ao passar a mão, percebe que o sonho não foi somente sua imaginação, pois em sua barriga apareceu uma cicatriz que antes não havia. Uma cicatriz que ardia como se o cajado ainda estivesse ali. Sem entender muito bem o que aconteceu, mas já imaginando o que poderia ser, o garoto levanta, pega a carta e a pena e ateia fogo nos itens, mas o fogo não queima o papel e muito menos a pena, o fogo se apaga e a cicatriz arde novamente.
                O menino percebe que não se livrará facilmente destes itens, pensou em diversas coisas, tentou todas, mas nenhuma resolveu, até o mais obvio foi em vão, escrever em um papel o desejo de que os itens se autodestruíssem. Sem opções o garoto continuou guardando os objetos com toda sua vida, sem que ninguém soubesse, ou ao menos, até agora.
                Um amigo, Lucas, outro menino típico, viciado em jogos de computador e futebol, foi visitar Giulian, ficou no quarto dele enquanto saía do banho, durante esse tempo acabou encontrando a pena e curioso pela ponta afiada, espetou o dedo e percebeu que saiu tinta, mas não era possível, pois era uma pena simples, não tinha tubo de tinta como as canetas, brincou com ela um tempo tentando descobrir como a tinta saiu dali até que escreveu seu nome em um papel junto ao de sua namorada, a tinta começou a sumir e logo lhe veio um aperto de vê-la, como se ele a amasse mais do que nunca. Achando tudo muito estranho perguntou ao amigo assim que abriu a porta do quarto.
- Essa pena aí? A tinta sumiu? Ah... é que... ela... tem uma tinta falsa, é só de brincadeira, uma tinta que some assim que se escreve, mas o que mesmo você escreveu?
- Nada, só meu nome ao lado do da minha namorada com um coração em volta.
- Certo, menos mal... quer dizer... então tá bom.
                Os dois ficaram mais um tempo ali e logo Lucas foi embora, queria ver a namorada, parece que estava querendo pedi-la em casamento e ao que Giulian conhecia do poder da pena, a menina aceitaria. Lembrou-se da cicatriz ao senti-la arder e acessou a internet para pesquisar casos onde uma ferida em sonho é somatizada, trazida do sonho para a vida real.
                Sites e mais sites sobre diversos assuntos, médicos dizendo que problemas psicológicos podem lhe trazer problemas físicos, fóruns religiosos dizendo desde “... isso é coisa do inimigo...” até “... pode ser uma mensagem...” e por fim um site que foi de utilidade, dizia que se o sonho foi com um espirito que te feriu e logo a ferida surgiu em seu copo físico, pode ser que esse espirito esteja preso a algo que você possui, que você deve se atentar especificamente a objetos adquiridos recentemente. Giulian logo soube do que se tratava e voltou àquele site que contava sobre o faraó.
- Só pode ser isto, mas e agora? O que eu faço se estes itens estão amaldiçoados? Como dois objetos, supostamente criados por Deuses, poderiam ser amaldiçoados por um faraó que não tinha nenhum poder? – Ficando totalmente sem respostas, o garoto resolve procurar alguém que entende do assunto.
                Em um papel Giulian escreveu “Quero que o Professor Lucas Maldonado, antigo portador destes objetos, entre em contato comigo”. Após cinco minutos o celular do menino toca, é o professor.
- Professor Maldonado, meu nome é Giulian, sou o atual portador de dois objetos que quero entender, preciso conversar com o senhor.
- Porque estou te ligando? Eu te conheço? Meu Deus, não me diga que é a pen...
- Isso mesmo professor, é a pena e o envelope.
- Não diga isso nunca, nunca complete os nomes, nossos telefones podem estar grampeados, muitos procuram estes objetos, vamos nos falar pessoalmente, me encontre amanhã onde eu estiver, no horário que eu escolher, pergunte a quem saberá responder.
- Certo, obrigado professor.
                No dia seguinte, ainda de manhã, Giulian escreve que quer saber onde encontrar o professor e em qual horário, coloca o papel no envelope e logo tem a resposta: Edificio Village, ap. 1102, 11º andar, às 14:00hrs.
                No local marcado, na hora exata, Giulian se encontra com Lucas Maldonado e decide perguntar tudo sobre os itens, a conversa durou tempo suficiente para Giulian se atrasar pro trabalho, mas ninguém percebeu. Com muitas coisas na cabeça o garoto só se lembrava de uma coisa que o professor lhe disse, para fingir que esses itens não existem, guardá-los em um local seguro, um cofre seria uma boa ideia, quanto mais perto mantê-los, mais perto o faraó estará. Na civilização atual só há espaço para um Deus e ele não se chama Murã ou Turã, ele não poderá ajudar contra o poder do faraó.
                A partir deste dia a vida de Giulian mudou drasticamente, de viciado em jogos, se tornou um pesquisador, passou a procurar tudo sobre estes itens e os usou apenas para financiar ou dar rumo às suas pesquisas, muitas coisas serão descobertas com o tempo, inclusive que Lucas Maldonado não é quem ele diz ser e que sua esposa não lhe botou para fora de casa por causa de suas pesquisas.

Sobrenatural (Parte 8)

3 de maio de 2011

    É sempre assim, eu faço algumas coisas boas e ninguém me agradece, mas basta eu tropeçar no cadarço que já é motivo para me atirarem pedras.
                Eu estava atrás das outras Pedras Planares e topei de frente com um demônio, era bem feio e muito grande, eu não soube o que fazer, então invoquei Festis para me ajudar, até porque não queria perder tempo lidando com um ser que eu ainda nem conhecia, ele me pareceu forte, mas Festis acabou rapidinho com o problema, ou melhor, começou com um problema.
                Hoje eu estou indo em direção ao inferno, acreditem, lá é literalmente o inferno, pois é cheio de demônios, como Festis matou aquele demônio com tanta facilidade e eu não contei para os outros dominadores que tinha pedido ajuda, eles me mandaram para eliminar todos os outros, mas eu resolvi contar a verdade.
                Tomei um ralho atrás do outro, de Heliaca primeiro, depois de Canis e em seguida Lacrau. Fui cada vez ficando menor, como se eu me encolhesse, só não entendi o porque, se o objetivo é justamente acumular as pedras para nos ajudar, porque não usá-las no dia a dia?
                Não teve jeito, olharam para a minha cara, bravos, e mesmo assim estou caminhando nesta direção, eu sei que estou morto, e desta vez estou mesmo, pois mandaram eu não usar as pedras para eliminar os demônios, teria que fazer por mérito próprio. Ao menos me deram um dossiê sobre eles para ler e uma lança feita que dizem ser mortal para os demônios, disseram algo sobre a lança ser a que feriu Jesus ainda crucificado.
                Esqueci de comentar que esse “ninho de demônios” fica em outra cidade próxima, em Corumbá, o calor de lá deve tê-los atraído. Fui de ônibus, já estou nas ruas da cidade procurando o lugar, acreditem estou carregando uma vassoura, pois foi o melhor jeito de disfarçar a lança e Simbio está comigo, mas ele fica pulando de árvore em árvore e ainda rindo das “catracadas“ que levei dos dominadores.
                Agora vou deixar as descrições da história por conta do autor, porque de agora em diante eu não sei ainda o que vai acontecer, mas definitivamente estou com medo.

                Não tendo muitas opções para enfrentar o medo, Gabriel segue em frente, cuidando cada passo e observando tudo a sua volta, Simbio acompanha o rapaz também antenado em tudo, para não serem pegos desprevenidos. O calor deixa Primata ofegante logo, apesar de que algumas aulas de artes marciais tenham melhorado seu estado físico.
                A noite começa a surgir, Gabriel se lembra de uma frase que Heliaca sussurrou em seu ouvido – “É na escuridão da noite que os demônios saem para se alimentar de carne, tome cuidado” – mas ele preferia não ficar pensando nisso, só lhe causava mais medo.
                Após quatro cansativas horas à procura dos demônios, Primata entrou em um beco onde diziam haver uma casa sinistra, suspeitou do local e foi verificar. Na porta do lugar já havia muitas marcações estranhas, como símbolos pintados de vermelho. Não sabia como agir, se batia na porta ou simplesmente entrava, mas não foi necessário muito tempo para que o problema fosse resolvido, um homem de 1,55m de altura saiu do local mantendo a porta aberta, então Gabriel e Simbio entraram.
                Gabriel andou por vários corredores, via prostitutas se drogando e transando com homens, mulheres ou até os dois ao mesmo tempo. Haviam crianças servindo bebidas e homens vestidos de padres dançando sobre uma plataforma alta. Era um local totalmente pervertido e perturbado, com certeza ele tinha encontrado o lugar, o problema é que assim como ele encontrou os demônios, os demônios também encontraram ele, pois houve um segundo demônio que viu Gabriel invocando Festis e matando aquele primeiro, então ele havia virado um alvo.
                Aqueles seres estranhos, corpulentos, com chifres e odor forte se aproximavam de Gabriel, um demônio aparentando ser um tipo de líder gritou bem alto e a casa silenciou, todas as atividades cessaram naquele momento, os demônios cercaram Primata e Simbio.
                Durante um instante, a cena ficou paralisada, os pensamentos de Primata iam de “se eu bater naquele ali primeiro consigo pular por ali e fugir por aquela janela” até “tô morto”. Seu pensamento logo foi interrompido, um grande lobo negro surgiu abocanhando um dos demônios e lançando-o contra a parede, que cedeu abrindo espaço para um briga que começou em seguida.
                Gabriel só via demônios sendo lançados para cima e para os lados, alguns tentavam fugir e outros tentavam matar aquele lobo, só se afastou e esperou, quem sabe ele não lhe mataria se não demonstrasse medo.
                Neste momento, excluso em um canto da casa com Simbio ao seu lado, Primata ouviu em seus pensamentos: “Me solte, é Doran, a Sombra”. Logo percebeu que se tratava de Quia falando com ele e a libertou, assim como Festis. Depois de alguns segundos os demônios simplesmente sumiram, alguns viraram pó, outros desapareceram em meio à buracos negros criados por Doran, o lobo. Após toda a confusão Festis, Quia e Doran se falavam, por incrível que pareça aquele lobo falava, depois eles se aproximaram de Gabriel e Doran se tornou uma ônix novamente.
- Quia, como Doran conseguiu sair da pedra sem ser chamado, como sempre faço com você? – Pergunta Gabriel sem entender muito bem.
- Se nós estivermos em pleno poder, totalmente recuperados, conseguimos nos libertar e Doran viveu neste beco por muito tempo, cercado de sombras, isso o fortaleceu muito.
- Mas porque você não se recupera se vive em contato com o ar?
- Porque o ar de que preciso não é este, poluído, infestado de pragas, o meu ar é puro, nem no céu eu encontro tal fonte de energia. – Diz Quia logo antes de Festis e ela se tornaram pedras novamente.
                Gabriel guardou as pedras e ligou para Lacrau informando o sucesso da missão, explicou o que ocorreu e por incrível que pareça não tomou mais nenhum sermão. Por fim ele continuava vivo, feliz e com mais uma das pedras como já era pretendido para este dia.

Sobrenatural (Parte 7)

19 de março de 2011

                Ouve um tempo, muito antes de toda a civilização que conhecemos existir, onde bruxas, seres extraterrenos, humanos e extraplanares andavam livremente sem se incomodarem uns com os outros, haviam suas rixas e brigas, mas todos viviam em paz. Estes seres extraplanares possuíam um poder absoluto, um poder que poderia facilmente causar muitos estragos no mundo, mas isso não era problema, pois eles eram extremamente serenos e amigáveis, seus poderes nunca foram usados contra a civilização e nem contra os de sua mesma raça, apenas para defender o mundo que conheciam, eram como guardiões.
                Certo dia um bruxo maligno, chamado Mirgh, descobriu uma forma de eliminar todos estes seres do planeta, abrindo caminho para fazer a maldade que quisesse, mas sete extraplanares conseguiram sobreviver a essa magia, porém ficaram muito fracos e foram obrigados a dormir por muito tempo para recuperarem suas forças. Para que pudessem descansar eles precisariam armazenar seu poder em algum objeto simples que não despertasse nenhum interesse no bruxo Mirgh e descartar seus corpos, já que eles faziam parte de algo muito maior do que a simples forma física. Eles escolheram sete pedras preciosas.
                Gilden, um grande ser avermelhado, de aparência demoníaca e com grandes chifres se tornou um pedaço de rubi não lapidado. Doran, um imenso lobo negro, se tornou uma ônix. Festis, um palhaço humanoide com uma boca imensa, se tornou uma ametista. Zerus, um felino majestoso e branco se tornou uma pérola. Trilde, um grande ser de aparência rochosa, se tornou um diamante bruto. Rediz, uma sábia coruja, se tornou uma esfera de quartzo. Por fim Quia, de aparência totalmente humana e indescritível beleza, se tornou uma opala lapidada. Todas as pedras possuíam tamanhos parecidos, exceto o rubi e estas pedras ficaram todas escondidas, separadas, por muito tempo, as pedras planares.
                Esta história foi contada por Canis, antes de me dizer que eu precisava encontra-las, legal ele não é? Pois então, é isso aí, agora eu preciso encontrar sete pequenas pedras que não faço nem ideia de onde estejam. Simbio diz ter ouvido falar sobre isso nas florestas de onde ele veio, acho que vou começar por lá.
                Canis me deixou uma grana, alias, muita grana, disse que era para pagar os custos da minha viagem, parti de avião para uma floresta no meio da Ásia, um nome parecido com Floresta de Kinsk. Ao chegarmos lá dei de cara com alguns EHCOS rondando o lugar, mas fui bem tranquilo, andando calmamente e espiando-os. Nenhum havia me notado ou tido interesse em me matar, mas eu tive interesse em uma coisa, um aparelho que um dos soldados levava consigo, era um tipo de radar, me fez lembrar do desenho Dragon Ball que tinha aquele radar para achar as esferas do dragão. Será que era para isso? Será que estavam atrás das pedras também?
                Simbio me puxou para o lado quando um dos EHCOS começou a se aproximar, saímos dali logo e paramos para conversar.
- O que acha daquele aparelho Simbio?
- Não sei não, mas parece um detector sim, só não sabemos o que ele detecta.
- Acho que eu descobri. CORRREEEEEEE
                Simbio pulou para cima das árvores enquanto eu conseguia escapar dos golpes esquartejadores do EHCOS 456 que me seguia, ele tinha um machado imenso nas mãos. Peguei um pedaço de pau, agora já com alguma noção de técnicas em combate, e me esquivei de sua machadada pulando para cima dele, acertando-lhe com o porrete improvisado, ele tonteou, mas logo estava me atacando novamente.
                Simbio atirava algumas frutas em sua cabeça para distraí-lo, foi então que consegui acertar alguns golpes naquele poço de músculos, mas o que percebi ter feito mais estrago foi o que atingiu suas partes baixas, continuei batendo ali até que ele caísse e então o desmaiei com um pedaço de pau maior que o anterior. Ficou mais fácil depois de um ano de treino, quero treinar mais e mais, apanhar nunca. Peguei o aparelho que ele segurava e vi que ele me seguia porque o aparelho apontava para mim ou para o Simbio, que estava logo acima, em uma árvore.
                Simbio desceu e correu para o lado, prevendo o que eu ia dizer, e o ponteiro do marcador mexeu também. Era Simbio que estava sendo marcado ali, mas não sabíamos o porque até que passei a mão nos pelos do macaco e caiu uma pequena pedra azulada.
- Achamos a opala. – Disse Simbio se apressando. – Vamos fugir daqui logo.
                Guardei a pedra, voltei para o local onde o jato particular me esperava e fui embora sem que outro EHCOS me seguisse. Pura sorte ter encontrado esta pedra tão facilmente, liguei logo para Canis e avisei que consegui a opala.
- Você está com ela nas mãos?
- Sim, estou segurando enquanto converso com você.
- Então diga a frase “sou inimigo de Mirgh e preciso de sua ajuda”.
- Para que isso?
- Apenas diga.
- Sou inimigo de Mirgh e preciso de sua ajuda. – A pedra brilhou, o interior do avião foi tomado por uma ventania que logo se acalmou e ao meu lado se encontrava uma linda mulher, ainda nua, mas logo lhe cedi um short e uma camiseta que carreguei comigo para eventualidades.
- Me chamou Inimigo de Mirgh? – Disse a mulher com voz suave.
- Você é Quia?
- Sim e você é?
- Meu nome é Gabriel, mas conhecido por Primata e este ao meu lado é Simbio.
- E por qual motivo você me despertou?
- Eu preciso saber como encontrar as outras pedras planares, pretendo reunir todos vocês para me ajudarem a enfrentar as forças do mal. – Digo sem saber ao certo se era esse motivo de estar juntando as pedras.
- Você provou ser forte e corajoso, mas infelizmente não posso lhe dizer onde estão todos os outros, apenas posso lhe assegurar que o diamante de Trilde se encontra em um tipo de caverna que fica abaixo do solo, próximo daqui.
- Certo, mas sabe onde fica essa caverna?
- O seu mundo é bem diferente do meu, não tínhamos estas casas imensas que alcançam vários pés de altura, muito menos aves mecânicas que sobrevoam as cidades, como esta que estamos. – Diz Quia olhando pela janela do jatinho. – Não tenho como lhe dar uma localização, mas quando estivermos perto eu lhe mando um sinal em seus pensamentos. Agora vou me recolher para não chamar a atenção.
- Ok, obrigado Quia. – Quando concluo minha frase Quia simplesmente se torna uma corrente de ar que é drenada para dentro da pequena opala lapidada. Então pedi para o piloto pousar na primeira cidade que conseguisse. – Você ouviu Canis? Ainda está na linha?
- Sim Primata, ouvi tudo. Vamos continuar pesquisando, enquanto isso você preste atenção em seus pensamentos. – Diz Canis preocupado de eu não entender o sinal que Quia enviará.
                Depois de ter apanhado muito eu pesquisei bastante sobre aquele ser estranho meio cobra e meio humano, seu nome na mitologia é Naga, existem vários deles circulando por aí, mas sempre nos esgotos ou na escuridão da noite. Acho que fiquei com um pouco de raiva destes seres, como queria encontrar com um deles para ele ver o que é bom, mas agora devo voltar a me concentrar, Quia disse que o diamante se encontra em um tipo de caverna no subsolo, mas ela não conhece as coisas de hoje de em dia, então quer dizer que pode ser um prédio que construíram para baixo da terra ou talvez um estacionamento, desci na cidade mais próxima e comecei a circular esperando ela me dizer que estava perto, mas nada me vinha à mente, eu me encontrava em uma cidade na Africa do Sul chamada Adis-Abeba, capital da Etiópia.
                Após um tempo andando eu percebi que seria muito difícil encontrar estacionamentos ou prédios ali, mas eu fiquei com muita pena da população, muitos passavam fome. Encontrei uma mina, não sei de que exatamente, mas me toquei de que Quia poderia estar falando de uma dessas, entrei um pouco na mina, mas não recebi nenhuma mensagem por pensamento, continuei andando. Mais a frente eu encontrei um imenso buraco no solo, aparentemente causado por algum tipo de explosão, percebi que haviam vários buracos de grandes diâmetros, o suficiente para uma pessoa entrar agachada, então me aproximei mais e mais até que ouvi um zunido muito alto e um pensamento brotou em minha mente “É aqui!”.
                Tirei a pedra do meu bolso e disse novamente: “Sou inimigo de Mirgh, e preciso de sua ajuda.” Logo Quia surgiu novamente com uma pequena tempestade de vento e apontou em direção ao buraco que estava à minha esquerda.
- O diamante está aqui?
- Não, eu me enganei, o poder que senti parecia o de Trilde, mas aqui se encontra a ametista de Festis, só poderei lhe dar a informação de onde Trilde está quando estiver com a ametista nas mãos, pois seus poderes confundem até mesmo nosso grande Gilden.
- Certo, então vamos entrar. – Falei já dando o primeiro passo no buraco.
- Não, aí dentro pode ser perigoso, deve haver seres morando, este buraco não foi cavado por humanos e estes ossos não são dos moradores e sim de suas presas. – Diz Quia apontando, dentro do buraco, uma boa quantidade de ossos humanos amontoados . – Além do mais eu nã...
- Isso quer dizer que muitas pessoas morreram aqui não é? – Pergunto espantado e interrompendo a frase de Quia.
- Ou pode querer dizer que alguém joga os restos da comida aqui. – Responde ela com sua voz fria como o vento.
- Independente do que vive ou come aqui, devemos entrar para resgatar a pedra de Festis.
                Os primeiros passos dados para dentro do calabouço foram tranquilos, mas logo avistamos montes maiores de ossos, seguimos calmamente, passos curtos e evitando fazer barulho, pensei até que Simbio não tinha entrado, pois não ouvia nada dele, quando olhei para trás para vê-lo uma sombra correndo desmoronou a entrada da caverna e tudo se agitou como um terremoto, pedras caindo e terra voando em nossos olhos. Simbio correu para mais perto  e Quia afastou a terra com vento para não afetar nossa visão, mesmo não parecendo muito bem.
                Após andar um pouco pude notar que Quia enfraquecia, como se estivesse ficando sem ar, mas como um ser que tem a magia AR poderia ficar sem ar enquanto eu, um mero humano, ainda estou bem? Resolvi fingir não ter notado e continuei andando, sem saber quem era o dono daquela sombra. Simbio me perguntava amedrontado o que poderia ser que moraria em um lugar assim, um grande túnel que só se anda agachado ou engatinhando e que tem uma extensão absurda, pois estávamos andando já fazia um bom tempo e Quia cada vez mais parecia cansada.
                O túnel começou a alargar, Quia, que estava atrás de mim começou a andar ao meu lado e pudemos ficar de pé, até que chegamos ao fim do túnel, onde havia um grande salão oval abaixo da terra, tão grande que fiquei ainda mais confuso em como teriam feito aquilo e quem moraria ali, mas quando de repente Simbio começa a bocejar e em um segundo caiu no chão dormindo. Quia cansada e aparentando fraqueza logo foi sugada novamente para a Opala e eu estou aqui sozinho, olhando mais ossos espalhados pelo chão e vendo outros vários túneis que chegam no mesmo lugar, o grande salão subterrâneo. O medo tomava conta de meu coração, mas eu não parei, andei até que pude avistar a pedra, uma linda pedra não lapidada que me proporcionava felicidade e ao mesmo tempo tristeza, medo e ao mesmo tempo coragem, eu estava com os sentimentos e sentidos totalmente bagunçados, o que aquilo significava eu não sabia.
                Segurei a pedra em minhas mãos e disse em voz alta “Sou inimigo de Mirgh, e preciso de sua ajuda”.
                Uma risada longa e alta ecoou pelo lugar, de dentro da pedra um sapato é cuspido para o chão, do sapato saem dois braços como que impulsionando para que o resto do corpo saia também, e em seguida eu estava diante de um palhaço, literalmente, com uma boca que ultrapassava os limites do rosto e roupas extravagantes.
- Você me chamou?
- Sim, eu vim buscá-lo, estou resgatando todos vocês – Mostro a opala de Quia -  Quia estava comigo, mas aparentemente perdeu forças, não sei porque, precisamos sair daqui logo.
- Quia não pode fica sob a terra, seu poder é de ar, a terra lhe enfraquece, assim como se jogar uma vela acesa na agua, ela irá se apagar, mas com qual finalidade quer nos unir, Mirgh está atacando novamente?
- Para combater as forças do mal, já se passou muito tempo desde o incidente com Mirgh, ele nem está mais vivo pelo que me consta, agora estamos enfrentando outros problemas e preciso de vocês.
- Quem o matou? – Sua boca enorme, de aparência feliz, logo estava curvando para baixo demonstrando profunda tristeza. – EU queria tê-lo matado, com minhas próprias mãos.
- Não se preocupe, o importante é que estamos em outra época, pelo que Quia me disse vocês vão notar boas diferenças do mundo que conheciam para o mundo que vivemos hoje.
- Certo, vamos embora, acorde aquele macaco e leve-o junto, pelo visto alguém anda comendo muita carne por aqui e não seria saudável para ele ficar.
- Festis, ainda não encontramos nenhum inimigo por aqui, este lugar parece abandonado, exceto pelo fato de que eu vi uma sombra e logo em seguida a entrada foi desmoronada, fechando a saída.
- Não está abandonado, com certeza, pois esses ossos são frescos, ao menos uma parte deles. Existem muitos outros túneis, vamos por um deles antes que resolvam se alimentar de nós, pegue o macaco. –Festis foi na frente e logo notei ele cochichando consigo mesmo. - Aqui está tudo muito triste né? Vou embora, não quero prejudicar meu bom humor.
- O que disse Festis?
- Um grande foco de terror se aproxima, alguém que está com muito medo está bem perto, vindo... devagar... por... ali.... – Aponta para um túnel no outro lado do salão. – Esconda-se nos ossos.
                Pulei em direção a uma pilha grande de ossos e me escondi, pude ouvir alguém chorando aterrorizado e logo surgiu a imagem, uma mulher magra, com seu corpo todo cheio de hematomas e alguns cortes sendo arrastada pelo chão por uma velha, magricela, com unhas grandes, nariz pontiagudo e carregando dois crânios amarrados em sua cintura com um pequeno punhal enfiado em cada um. Suas roupas eram trapos rasgados e os poucos cabelos que tinha eram trançados em pequenas quantidades.
                Em um instante vimos ela passando a mão sobre a cabeça da mulher que logo apagou em um sono profundo, senti um forte desejo de dormir nessa hora, mas resisti, Simbio já estava apagado, agora entendi o porque dele ter dormido, ela deve ter poderes.
Permaneci ali, intacto, eu estava longe de Festis, não conseguia vê-lo pois um crânio me barrava a visão, continuei olhando para aquela velha estranha que logo tirou um de seus punhais e começou a carnear a mulher ainda viva, porém dormindo. A cena me causou um mal estar e sem querer gemi de nojo, a velha olhou em minha direção naquele exato momento e pude claramente entender o medo que Festis havia sentido, eu estava apavorado, mesmo querendo ajuda-la.
- Quem ousa entrar no domínio das Bruxas? Além de nós, só alimentos entram e não saem mais. – Fiquei quieto e logo ela continuou. – VAMOS, SAIA JÁ DE ONDE ESTIVER SE ESCONDENDO. Quero saber se é mais gostoso do que essa coitada que é pele e osso, faz tempo que não como carne de verdade.
Meu medo começou a me dominar, mas eu me segurei firme e senti que alguma coisa me motivava a ficar ali parado, como se houvesse uma força, uma coragem que ia de encontro com o medo que a bruxa me causava, me sentia forte para resistir.
                Após um tempo da bruxa me encarando e eu ainda parado, ela simplesmente voltou a esquartejar e carnear a mulher que mantinha suspensa no ar segurando suas pernas com apenas uma mão. Eu não tinha mais o que fazer para ajudar aquela pobre moça já morta, só prezava pela minha vida e de meus companheiros nesse momento.
                Aguardamos um tempo escondidos até que a bruxa começasse a comer, assim teríamos uma vantagem contra ela e logo esse momento chegou. Festis partiu para cima da bruxa com uma espada de madeira, como se aquilo fosse sua arma mais mortal, mas o que eu não esperava é que realmente era sua arma mais mortal.
                Cada golpe dado gerava um impacto como se sua força fosse dez vezes maior e sua lamina cortava como se fosse de ferro, mas era um simples e hilária espadinha de madeira. Com a ofensiva sobre a Bruxa, Festis me deixou um vão, um ponto onde eu poderia ataca-la sem que ela visse, mas minha investida foi travada por outra bruxa que logo surgiu com suas unhas enormes segurando meu braço.
                No momento que meu braço foi agarrado eu tentava me soltar, mas a força que me segurava era incrível, então Festis viu que havia a outra bruxa, parou de atacar a primeira, colocou a espada na cintura e estendeu uma mão para cada bruxa. As bruxas foram em direção a ele, como se ele fosse um amigo e então quando elas tocaram a mão do palhaço algo muito estranho aconteceu, as bruxas simplesmente começaram a se atacar em uma luta que eu não pretendia assistir.
                Festis me chamou e fomos correndo para uma saída, peguei Simbio soterrado pelos ossos e enquanto andava acordei ele com algumas chacoalhadas. Conseguimos chegar a uma saída, Festis voltou para sua ametista e então peguei o voo particular de volta para casa. Agora eu já tenha duas das pedras planares.