14 de junho de 2013

O Cair do Véu (Cap. 11 - A Verdade Sobre os Dominadores)

Quando penso que estou começando a entender, logo alguém surge e muda completamente tudo o que sei, foi isso que aconteceu quando encontrei a Succubus, quando eu topei de frente com ela e pude ter certeza de que eu não sei realmente nada.
Eu e o Lacrau conseguimos, finalmente, encontrar o paradeiro do demônio. Nós lemos e relemos aquele diário, perguntamos para todos os vizinhos do rapaz e descobrimos também o nome dele. Fomos nos encontrar com o psicólogo do rapaz, que como já esperávamos, não quis comentar nada, mas Lacrau conseguiu de forma gentil fazer com que ele falasse.
As informações que o psicólogo nos passou foram as mais determinantes para encontrarmos o demônio.
O problema começou quando ela começou a falar:
- Lacrau, assassino profissional, utilizava como principal arma os mais perigosos venenos, morreu ao, acidentalmente, injetar em si mesmo uma quantia muito grande de veneno. Foi encontrado no primeiro circulo do inferno por um demônio que o ofereceu a vida de volta em troca de algumas “missões” que deveria cumprir. Telson, seu escorpião, também conhecido como Diva Caali, um demônio que possui outros três irmãos, Giva Caali, Niva Caali e Tiva Caali, também conhecidos por Fenris, Royal e Simbio. Preciso falar mais alguma coisa?
- Cale a boca demônio, senão terei matá-la aqui mesmo....
- Nem perca seu tempo tentando, sabe que eu nunca morreria por você, só o Gabriel poderia me matar, só ele ainda não sabia de toda a história, todos vocês cumprem a promessa dos irmãos Caali, são totalmente inofensivos contra demônios.
- Tudo isso é verdade Lacrau? É verdade que só estavam me usando, que Simbio é um demônio e você todos são os caras maus? Então contra quem eu lutava?
- É Gabriel, você nunca matou vilões, ao menos, não seus vilões, apenas quem ia contra os desejos dos irmãos Caali. Tudo gira em torno de vingança.
- Fique quieta seu demônio, pare ag....
- Não, estou apenas começando. Você Gabriel, foi transformado em um deles apenas porque eles precisavam de alguém que conhecesse o mundo sobrenatural e que não fosse perguntar muito, alguém que quisesse tanto ser bom, que fosse inocente. Alguém que eles manipulariam e nunca perguntasse nada, porque a partir da hora que você soubesse, seria obrigado a cumprir a promessa, isso foi uma forma de manipular as leis do inferno, manipular a “maldição” lançada sobre os...
- Cale-se agora sua....
- Cale-se você Lacrau, quero ouvir tudo, se vou morrer aqui, quero morrer sabendo de tudo, para não me entregar a nenhum demônio se eu for para o inferno.
- Não Gabriel, você já está no inferno, Tiva já o dominou, eles se consideram dominadores, mas não passam de dominados. Só há uma coisa que poderia te livrar deste mal, se outro ser sobrenatural fosse capaz de matar Tiva, assim você talvez estaria livre, ao menos enquanto você ainda não se entregou ao inferno. Você realmente morreu quando te colocaram naquela caixa.
- Como você sabe tanto? Como sabe da caixa? – Pergunta Lacrau.
- Porque eu estava lá, eu estava no inferno ao lado de Tiva enquanto ele planejava se encarnar como um macaco, ele sempre foi muito bocudo.
                Neste momento chegam Canis e Heliaca e seus respectivos animais, quer dizer, demônios. Fenris neste momento se transforma em um grande e horripilante ser demoníaco, logo os outros também, inclusive Simbio que agora acordava. A situação começava a ficar feia e eu tinha certeza que morreria, de novo.
- Porque tudo isso Succubus, porque está fazendo isso, era nossa chance de voltar, de agir neste mundo sem problema nenhum, de fazer os humanos e outros seres se curvarem diante de nós.
- Porque eu não quero o mundo aos nossos pés, quero apenas ser livre e fazer o que eu bem entender, não desejo prisioneiros e sim liberdade. A partir de agora ele sabe de tudo, então me deixem em paz e sumam daqui.
                Acho que eu preferia ficar por perto daquele demônio, porque com certeza eu seria torturado e assassinado pelos dominadores, alias, dominados.
                Heliaca chegou ao meu lado, os demônios voltaram as suas formas animais e assim que pensei em correr já estava desmaiado e acordei no mesmo quarto que encontrei os dominados pela primeira vez.
- Tudo o que ouviu é a pura verdade e nada pode ser feito para voltar atrás – Diz Canis em tom agressivo – agora devemos nos conformar e seguir em frente, só não poderemos mais eliminar os outros demônios que estão em nosso caminho. Está dentro ou quer voltar pro inferno?
- Estou dentro, definitivamente.
                No decorrer do dia percebi que Simbio, ou Tiva, ficava me olhando, lendo meus pensamentos, eu não poderia nem sequer pensar em como me livrar dele. Alias, acabei de pensar, e ele acenou com a cabeça em desaprovação.
                Passei dias e dias vivendo nesse inferno, nos dois sentidos da palavra. Eu não conseguia nem podia pensar em nada, não sabia o que fazer. Descobri que fui usado, minha ingenuidade me transformou em um morto revivido por um demônio que mata por vingança em propósito de destruir tudo o que sempre tentei proteger, não sei mais o que fazer, então decidi fazer algo inesperado, subi em um prédio e antes mesmo que Tiva lesse meus pensamentos eu pulei do quarto andar do prédio, ele não conseguiu me seguir e logo comecei a ver o chão se aproximando e pensei, morri pela segunda vez.
                Mas não, não consegui morrer, algo surpreendentemente  incrível aconteceu, Quia me salvou lançando um colchão de ar abaixo de mim, nem me lembrava mais deles, todos seres extremamente poderosos que poderiam me ajudar, suas forças já estão recuperadas, eles com certeza dariam conta de matar Tiva e os outros, eu estaria livre, mas eu agora percebo que não estou no chão, aonde estou?
- Você está em um hospital – diz um enfermeiro – Caiu de um prédio e milagrosamente sobreviveu, apenas fraturou umas costelas. Havia um macaco ao seu lado, ele te seguiu o tempo todo que estávamos na ambulância, mas não podemos deixá-lo entrar, então ele está lá fora te esperando, logo você terá alta.
- Ele não entra aqui? Tem certeza?
- Absoluta, ele ainda está lá, pode vê-lo daqui pela janela se quiser, ele é muito inteligente, ficou onde poderia te ver.
- É, inteligente demais. Pode me dar licença um minuto por favor?
- Claro, fique a vontade.
                Aproveitei para chamar Quia e os outros para conversar, explicar minha situação. Todos se comoveram e resolveram me ajudar, pois o que eles mais prezavam era o equilíbrio, combinamos tudo e partimos para a ação.
                Viajei para Miranda com a desculpa de descansar e melhorar da queda, Tiva todo o tempo me enchia a cabeça com ralhos de como eu não deveria ter feito aquilo, que foi por pouco que não morri, que ele não poderia me salvar duas vezes, falando como se eu quisesse ser salvo, nas duas vezes.  Chegando na cidade eu fui procurar um campo aberto e mais longe, então resolvi usar uma fazenda próxima da cidade, para Tiva eu estava apenas pensando no descanso, me mantive controlado para não pensar em nada que ele pudesse ler.
                No momento que chegamos ao campo aberto eu olhei para Tiva e disse “Sou inimigo de Mirgh, e preciso de sua ajuda” enquanto segurava as cinco pedras que eu já possuía.
                Em um instante Tiva percebeu o que eu fiz e logo se transformou em um grande demônio com braços compridos, corpo esquelético, garras e asas negras, em seguida os seres planares surgiram ao meu lado como guardiões.
- Eu lhe disse para não fazer nenhuma besteira Gabriel, isso é imperdoável, mais grave do que tentar se matar. Eu terei que fazer o nunca quis, mas antes preciso eliminar seus cachorrinhos guardiões.
- Antes me diga, porque ninguém nunca percebeu vocês como demônios? Vários seres que lutamos contra, nenhum sentiu a presença de vocês, como isso?
- Não tenho tempo para conversa...
- A forma animal é a mais “bruta” dos seres que um demônio pode se transformar, isso faz com que seja também a mais imperceptível. Isso dificultou até de nós podermos senti-los. – Diz Doran. – Agora chega de conversa, vamos logo com isso. Festis mantenha o Gabriel feliz.
- Porque isso Doran? Como assim me manter feliz?
- Porque vocês estão ligados, cada golpe, cada dor que ele sentir, você também sentira, se você estiver se preocupando com isso, só tornará o laço mais forte e quando ele morrer, você também morre. Festis te manterá com astral alto, alegre, para que não se importe com o que acontecerá.
                A briga começou, Tiva partiu para cima de Doran, mas Trilde o agarrou e o lançou no ar, Quia criou uma bolha de vento que envolveu Tiva e por fim Doran arrancou sua cabeça com uma mordida, foi muito simples e rápido. Exceto que agora viria a parte que eu não sabia, a parte em que eu apaguei e acordei no inferno, lá era realmente fedido, quente e com muitos seres mau encarados que ficavam me olhando, parecia que logo me matariam, de novo, então surge outro demônio, me segura nos braços e tudo começa a ficar mais claro, o calor começa a se tornar frio e me vejo novamente em Miranda, na mesma fazenda, ao lado dos outros.
- Quem era aquele demônio que me salvou?
- Aquele era Gilden, nosso líder, o único que conseguiu fugir para um lugar onde ninguém o reconhecesse, ele foi para o sexto círculo do inferno e se manteve lá até os dias de hoje, ele só sairia do inferno quando todos nós estivermos juntos, mas pelo visto você é bem importante para ele.
- Agora estamos livres de mais este problema, vamos nos concentrar no que mais nos resta. – diz Quia.
                Todos voltam para suas formas de pedra e eu continuo seguindo, mas desta vez sem o pequeno gigante demônio que andava atrás de mim e Gilden voltou ao inferno esperando o momento certo para se libertar.
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