16 de junho de 2013

O Viajante do Tempo (Cap. 1 - Mar de Janeiro)

Estamos em 2540 D.C., aqui mesmo, no Brasil, mas hoje moro no Rio de Janeiro, um Rio de Janeiro diferente, que está mais para Mar de Janeiro, pois as grandes geleiras que derreteram fizeram com que o mundo fosse tomado por uma enxurrada de água, água essa que engoliu cidades, países e até continentes, como a Oceania, por exemplo, que não existe mais.
A Terra vista do espaço hoje tem um formato meio diferente, ela é 98% coberta de água, 98%. Alguns engenheiros inteligentes e audaciosos criaram cidades sob a água, mas muitas delas cederam ao peso do mar, outros também criaram cidades flutuantes, mas como qualquer experiência também houve perdas.
O Rio de Janeiro hoje parece a Veneza de 2012, com muitas passarelas sobre a água, barcos trafegando como se fossem carros e as pessoas achando aquilo muito normal, mal sabem como era antes.
Esses dias mesmo eu vi um barco parando em um certo ponto, desceram algumas pessoas  e o barco partiu, logo a frente outro barco passou e parou no mesmo ponto, onde desta vez pessoas subiram a bordo, aquilo eram os ônibus.
Botes são táxis e raras são as pessoas que tem barco particular porque o IPVA, Imposto sobre Propriedade de Veículos Aquáticos, é muito caro, chegando a quase 50% do valor venal do veículo, porque assim eles diminuem a poluição e o tráfego.
                A carne vermelha é um luxo hoje em dia, o que me faz muita falta, em compensação aos adoradores de peixe, hoje é só isso que comemos.
                A importação de carne se tornou cara, porque os lugares que produzem a carne vermelha são sempre longe, onde antes havia um grande exportador hoje há mato e animais selvagens, no antigo centro-oeste.
Com a invasão da água nas costas todos os animais fugiram para o meio do país, muitos dos humanos que moram lá vivem como homens da caverna, porque muito animais ferozes são encontrados a todo momento e muitos humanos morreram se tornando o elo fraco da cadeia alimentar, se tornaram índios e só sobrevivem os mais fortes, ao menos pelo menos uma vez em não sei quantos mil anos os humanos trabalham em conjunto pelo bem de todos.
                Quando você pensava que o mundo só evoluiria, você olha pra trás e percebe que voltamos às origens, mas sem dinossauros.
                Alias, foi bom eu falar de dinossauros, porque com o derretimento das geleiras foi descoberto que no meio delas havia um ecossistema aquático milenar que sobreviveu e hoje esses animais pré-históricos estão à nossa volta, nadando sob nossos pés.
                Pergunta se alguém tem coragem de mergulhar? Os poucos que viram esses gigantescos animais têm tanto medo que temem apenas olhar para o mar, alguns nem de barco andam, compraram bicicletas ou andam de pé mesmo, mas sempre tem uns loucos.
                Os marinheiros que os viram descreveram como um gigante polvo cheio de dentes na boca e com a força para esmagar grandes embarcações, parece até que descreveram o Kraken, aquele ser mitológico que vive nos mares e é comandado por Poseidon. Pois é, parece ele.
                Mas outros descreveram como um tubarão gigante, que mede aproximadamente uns 500 metros de comprimento, será exagero? Eu nunca vi nada desse tipo.
                Algumas cidades conseguiram ficar de pé, ou sobreviveram embaixo da água com cúpulas que sustentam o peso do mar, ao menos por enquanto.
                Conhecem o Uruguai? Pois é, um dos países das Américas que se perdeu totalmente, bem como, e felizmente, a Argentina, mas como esses são cheios de si, nenhum quis fugir, morreram todos achando que Deus os pouparia transformando-os em peixes.
                Quem sabe um desses seres pré-históricos não seja eles? O kraken talvez, cada membro é um morador e o cérebro é aquele cara que jogava futebol, o Maradona. Brincadeiras a parte, foi uma tragédia, as poucas emissoras de televisão que conseguiam operar passaram toda a destruição pela televisão e foi triste.
                O Vaticano continua intacto, mas sem forças e com seus moradores trancafiados como em um forte, pois muitos católicos agora haviam se tornado ateus, desacreditando do poder de Deus e alguns até criaram seitas próprias promovendo a adoração ao diabo, quem sabe adorando-o ele para de maltratar o mundo, até um profissional para ensinar a manusear armas o Papa contratou e encomendaram diversas armas ilegais em função dos constantes ataques que os ex-católicos investem contra o Vaticano, quem diria né?.
                Diabo que nada, eles não sabem que tudo isso foi os próprios humanos que causaram. Com essas seitas começaram a ocorrer muitos assassinatos e a polícia não tem mais forças, porque a quantidade de pessoas que se tornaram ferozes e psicóticas é tão grande que deve ter umas mil pessoas para cada policial, aqui no Rio de Janeiro mesmo eu só vejo policiais de vez em quando, sorte que os morros hoje são moradias de luxo e os bandidos ficaram ricos com a venda das casas que pararam de roubar e se mudaram para outros países ou simplesmente para um lugar mais em conta.
                O Rio de Janeiro é uma das poucas cidades que conseguiram erguer a tempo e os pilares sustentaram as construções mesmo com a força das águas, por isso vivo aqui, é uma cidade que apesar de diferente ainda é muito parecida com o mundo que eu vivia em 2012.
                Então só para esclarecer melhor, hoje é como se o mundo tivesse sido dividido em épocas e não em países ou cidades. Quer a pré-história? Vá ao Centro-oeste ou pule no mar, e tente sobreviver em meio a animais fortes e malvados. Quer aquela época onde o anarquismo dominava e não havia leis? Vá para o Vaticano, que hoje sobrevive como um forte armado e os bispos e toda sua classe têm que viver preparados para uma invasão.

                E eu? Bom, prazer, eu sou o Dr. Kelson Nogueira, um viajante do tempo que passou a vida sozinho, em busca de conhecimento para criar o que hoje é minha fonte da juventude, minha vida, minha alegria e meu jeito de ser, minha idade já não sei mais, com tantas idas e voltas já nem lembro mais quando nasci e nem sei se um dia morrerei.
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