5 de janeiro de 2018

Caminhos Cruzados (4.7.14 – Em busca do equilíbrio próprio)

                Após muitas buscas por livros, pergaminhos e todo tipo de inscrição antiga para entender o que está acontecendo, Kelson  volta no tempo, muito tempo antes, voltando cada vez mais, próximo de pirâmides no Egito, até que encontrou um Faraó, com um cajado pontudo e o questionou sobre a existência de itens mágicos no Egito, o Faraó, não sendo bem receptivo enfiou a ponta do cajado na barriga de Kelson e o deixou para morrer no deserto.
                Giulian sentiu um formigamento estranho em sua barriga, aquela ferida agora sangrava, estava aberta e com areia em volta, ele logo pensou que o Faraó estava mandando uma mensagem, algo como voltar a usar os itens, mas não comentou com ninguém, fez curativos e escondeu dos outros.
                Karina estava preocupada porque Kelson não voltava e questionou Gabriel, que também não fazia ideia de onde o viajante estaria, então foi perguntar ao Giulian, que por sua vez teve um lampejo do sonho, mas dessa vez não era ele morrendo no deserto e sim Kelson.
- Giulian, você está bem? Você apagou, eu te perguntei do Kelson e você desmaiou.
- O que? O que aconteceu? – Diz Giulian se levantando do colo de Karina e com dor na cabeça – Eu não sei, tive uma sensação estranha, um sonho, ou lembrança.
- O que você viu? – pergunta Gabriel interessado e assustado.
- Vi o Kelson sendo apunhalado por um Farao no Egito, próximo de umas pirâmides, assim como eu fui em um sonho há um tempo atrás, quando ganhei essa cicatriz. – Giulian mostra a ferida retirando os curativos – Mas hoje ela voltou a sangrar do nada, será que algo aconteceu com ele?
- Gabriel, ele não disse onde ia?
- Não, ele apenas disse que ia buscar mais informações, não sei onde.
- Ele deve ter voltado no tempo, deve ter ido atrás do Farao, mas porque o sonho e o que aconteceu com ele foram exatamente a mesma coisa? Será que a linha temporal atual que ele está é a que eu estava quando fui atingido e por algum motivo eu fiquei com a marca e a lembrança  e ele não?
- Mas se foi isso, então ou ele morreu e continuou nos ajudando por existir em varias linhas temporais, ou ele se salvou de alguma forma, como alguém se salvaria disso? Isso é impossível, nem tem como saber onde e quando ele está, só um Deus poderia salva-lo.
- Isso mesmo Karina e esse Deus sou eu, eu tenho o poder de dois Deuses na mão, é só usá-lo. – Fala Giulian já pegando os dois itens.
- Será que isso pode dar certo? Será que não afetara ainda mais o equilíbrio?
- Não sei Gabriel, só sei que temos que fazer algo, e algo significa usar a pena e a carta.
                Em comum acordo, Giulian pega a pena, rasga um pedaço de rascunho, pede que Kelson seja trazido para perto deles sem nenhum ferimento e como esperado, não surte efeito, então coloca o rascunho no envelope, que logo o consome e Kelson aparece deitado no chão, estirado, mas sem nenhuma ferida.
- Kelson, você está bem?
- Eu estou sim, porque estou aqui? Estranho, eu estava buscando respostas e simplesmente não lembro de mais nada.
- Giulian, foi isso que aconteceu, quando o trouxe de volta sem nenhum ferimento, a pena e a carta fizeram com que aquilo nunca tivesse acontecido, porém o equilíbrio seria bagunçado, então uma “cópia” sua foi colocada no lugar, foi ferida mortalmente e deixou essa cicatriz no seu verdadeiro corpo físico, talvez essa seja sua magia, seu motivo de existência, talvez você tenha a capacidade de se colocar no lugar dos outros, de absorver os problemas para você mesmo, mesmo não sendo exatamente você.
- Isso quer dizer que eu poderia ter salvo a Pamela? – Giulian entristece ao lembrar da amiga e pensar que poderia tê-la salvado.
- Talvez Giulian, não temos como saber, as coisas acontecem como acontecem porque o tempo passa, simplesmente passa, não volta, não para, só anda, exceto para mim. O que aconteceu tinha que acontecer. – Diz Kelson tentando animar o amigo, mas sem muito sucesso.
- Pensando por esse lado então, eu posso usar a pena e a carta, criar uma “cópia” minha para absorver todo o poder gerado, e eu continuarei vivo e usando os itens, mas qual seria a minha limitação?
- Em primeiro lugar, como você faria isso? Em segundo, será que isso não consome aos poucos quem é você de verdade? Não diminui sua humanidade ou o torna algo diferente? – Pergunta Kelson.
- Por isso você não existe, porque você pode morrer ou viver quantas vezes quiser, deixando somente uma linha existente de tempo, somente um Giulian no universo cheio de vários eus, várias Karinas, vários Kelsons. Mas não podemos nos precipitar, precisamos descobrir como funciona isso.
- Mas gente, só pra eu entender tudo, como começamos toda essa conversa? Como descobriram tudo isso? – Pergunta Kelson, sem entender ainda como tinha chegado ali.

                Os três explicaram para Kelson tudo o que aconteceu, que voltou no tempo para entender e descobriu uma verdade já esquecida sobre ele também, ele percebeu que o momento em que se tornou o próprio tempo, que deixou de existir no mundo físico foi exatamente naquela linha do tempo, por esse motivo seu caminhos foram cruzados, pois o problema causado pela pena e a carta foi o gatilho para acabar com o equilíbrio dos poderes de Kelson, agora ele precisará encontrar novamente esse equilíbrio próprio para voltar a ser quem era e se lembrar da sua idade e sua origem.
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