20 de julho de 2011

O Cair do Véu (Cap. 9 - Sabedoria em Forma de Pedra)

Depois de ter mais uma pedra na coleção e mais algumas missões cumpridas, retornei do Chile, onde havia vários casos de pequenos terremotos em uma área curta, Quia suspeitou que pudesse ser Trilde, o Rocha, por isso fomos para lá.
Chegando descobrimos que não passa de um grupo de vândalos que abriam grandes buracos, plantavam dinamites e depois a estouravam, a polícia local resolveu o problema sem nossa intervenção.
Estava muito difícil encontrar as pedras, andava, ajudava pessoas, salvava cidades e nada de encontrar mais pedras. Desde Doran, já passou quase um mês que não encontrei nada de útil.
Enfim a espera acabou, recebi uma ligação de um informante contando um caso que indicava a presença de algo sobrenatural, mas ele detalhou como sendo uma mulher capaz de prever o futuro e que alega tirar as informações de uma esfera de quartzo, seria ela uma das pedras planares?
                Não perdi tempo e fui logo partindo em direção a cidade de La Paz, na Bolívia, para encontrar a tal vidente. Perguntando de um lado para o outro sobre uma mulher chamada Soraia acabamos descobrindo que ela morava em uma cabana, em um acampamento de ciganos de diversas nacionalidades.
                Chegando ao local indicado haviam ali dois grandes e musculosos guardas portando imensos facões.
- O que deseja com Soraia? – Pergunta um dos guardas.
- Gostaria de uma sessão de adivinhação com ela.
- Veio ao lugar errado, Soraia não adivinha, Soraia sabe. – Fala o outro guarda.
- Ok, então vim para saber o que ela sabe sobre mim.
- E seu macaco? Também quer saber sobre ele? – Pergunta o primeiro guarda.
- Não, obrigado.
- Mas deveria, as aparências enganam. – Complementa o segundo guarda.
                Nesse momento Simbio bufou e olhou com uma cara nada agradável para os guardas que logo nos encaminharam para a tenda de Soraia.
- Ela os espera desde ontem. – O guarda olha para Simbio, dá uma risada torta e vai embora.
- O que ele acha que sabe sobre você Simbio? – Pergunto em voz alta.
- Não é o que ele acha meu querido, é o que ele já sabe, mas algumas coisas só podem ser ditas no momento certo e ele não é hoje, muito menos agora. Sei porque veio e aqui está a sua pedra. – Fala uma velha senhora, aparentando muita idade e certa fraqueza – Ela me disse que você a procurava, você e seus outros amigos como ela. A sabedoria petrificada, quem diria que eu teria a chance de mudar a vida de muitos, ajudar pessoas e não precisar cobrar nada por isso.
- Obrigado Senhora, mas se sabia porque vínhamos, porque não fugiu ou se escondeu?
- Porque não desejo o mal para ninguém e ficar com essa pedra aqui só traria destruição ao meu povo, destruição essa que cerca todas as sete pedras. Tome muito cuidado com suas companhias. – Diz Soraia olhando para Simbio.
- Obrigado de novo Soraia, agradeço muito por facilitar as coisas.
- Posso apenas lhe pedir um favor?
- Diga, se possível eu atenderei.
- Essa pedra nunca me disse nada sobre mim mesma, pergunte a ela quando que meu corpo não aguentará mais esse câncer que carrego há 25 anos. Por favor! – Soraia chora ao perguntar.
                Seguro a pedra com minhas duas mãos, encosto próximo ao rosto e pergunto, como faço com Quia e os outros.
- Rediz, eu sou amigo de Quia, Doran e Festis, todos estão aqui comigo, ajude essa simples mulher a obter a resposta que deseja. – Da pedra surge uma luz, da luz ouve-se um bater de asas e logo pousa em meu ombro uma coruja branca.
- Meu nome é Rediz, sou sua guia desde que me encontrou, agora lhe darei a resposta que tanto deseja. – Um minuto de suspense e logo ela responde – NUNCA!
- Como assim Rediz, nunca? – Pergunto.
- Soraia, esse câncer se curou a muito tempo atrás, quando abandonou a vida que levava, quando largou o uso de drogas, quando parou de maltratar as pessoas, o seu câncer se curou quando você se curou e se tornou a boa pessoa que é hoje. Faça o que sempre fez, viva como tem vivido e eu garanto que ainda ira viver por muito tempo, por isso nunca lhe falei nada, não há nada que você precisasse ouvir.
                Soraia ajoelha e chora desesperadamente agradecendo a Deus e Rediz volta para a pedra que logo guardo junto com as outras, mas antes fala uma última coisa.
- Enquanto o bem dominar seu coração, você saberá o que dizer às pessoas, não precisa de mim aqui, estarei sempre com você minha querida mensageira.
                Partimos da vila de ciganos com uma nova experiência no currículo, agora sei o valor de fazer o bem e com uma pulga atrás da orelha sobre aquela história de amigos.
                Ao sentarem para um descanso, ainda na Bolívia, ouvi em meus pensamentos que devo sair de perto do macaco, percebi que a única voz que ainda não me acostumei é a de Rediz, portanto devia ser ela. Afastei-me bastante dando uma desculpa qualquer e libertei Rediz para poder conversar.
- Sei que muita coisa te incomoda, desde que tudo isso começou, desde de que morreu e renasceu com certas habilidades, desde que esse parceiro macaco passou a andar ao seu lado, mas o que importa é que agora você irá perceber, simplesmente lhe contar e privá-lo de passar por algo que define o seu crescimento e sua evolução seria errado, por isso vou apenas lhe guiando para o lado certo, mas não comente com ninguém, absolutamente ninguém, que me encontrou, isso é essencial, muito menos para esses tais dominadores.
- Mas e o Simbio? Ele sabe.
- Esse macaco apenas se lembrará que encontraram a tal Soraia, que ela tinha uma pedra, mas que não era nenhuma das nossa, guarde-me separada dos outros e mantenha-se distante de mim, não me procure, não me chame, finja que ainda só possui Doran, Festis e Quia, eles também sabem de tudo isso que estou lhe pedindo.
- OK, não entendo muito bem, mas cumprirei o que me pede.
- Agora volte lá e Simbio já não lembrará mais de mim, dê qualquer desculpa para ter saído, mas antes tenho algo para lhe dizer que irá ajudar, procure por um diário no centro de Campo Grande, próximo à um edifício que fica em uma avenida que termina onde tem um grande parque que concentra todo o poder.
                Confuso, voltei para perto de Simbio, que cochilava, provavelmente algum encanto de Festis, já que quanto mais pedras eu portava, mais fortes eles parecem ficar.
                Ao final do dia, Lacrau ligou pedindo para buscar informações sobre um caso, menti com uma incrível facilidade sobre Rediz e fui em mais uma missão.
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