24 de junho de 2011

A pena e a carta dos Deuses (Cap. 2 - Contato com o faraó).

                Giulian estava dormindo, a pena e a carta estavam sob seu travesseiro e logo um sonho.
                “Giulian andava pelas areias do Egito, ao passar diante de uma grande pirâmide um faraó aparece caminhando, ao se aproximar do garoto o faraó olha em seus olhos e enfia a ponta afiada de seu cajado na barriga de Giulian e o deixa para morrer nas areias do Egito.”
                Com o susto, o menino acorda sentindo uma forte pontada na barriga e ao passar a mão, percebe que o sonho não foi somente sua imaginação, pois em sua barriga apareceu uma cicatriz que antes não havia. Uma cicatriz que ardia como se o cajado ainda estivesse ali. Sem entender muito bem o que aconteceu, mas já imaginando o que poderia ser, o garoto levanta, pega a carta e a pena e ateia fogo nos itens, mas o fogo não queima o papel e muito menos a pena, o fogo se apaga e a cicatriz arde novamente.
                O menino percebe que não se livrará facilmente destes itens, pensou em diversas coisas, tentou todas, mas nenhuma resolveu, até o mais obvio foi em vão, escrever em um papel o desejo de que os itens se autodestruíssem. Sem opções o garoto continuou guardando os objetos com toda sua vida, sem que ninguém soubesse, ou ao menos, até agora.
                Um amigo, Lucas, outro menino típico, viciado em jogos de computador e futebol, foi visitar Giulian, ficou no quarto dele enquanto saía do banho, durante esse tempo acabou encontrando a pena e curioso pela ponta afiada, espetou o dedo e percebeu que saiu tinta, mas não era possível, pois era uma pena simples, não tinha tubo de tinta como as canetas, brincou com ela um tempo tentando descobrir como a tinta saiu dali até que escreveu seu nome em um papel junto ao de sua namorada, a tinta começou a sumir e logo lhe veio um aperto de vê-la, como se ele a amasse mais do que nunca. Achando tudo muito estranho perguntou ao amigo assim que abriu a porta do quarto.
- Essa pena aí? A tinta sumiu? Ah... é que... ela... tem uma tinta falsa, é só de brincadeira, uma tinta que some assim que se escreve, mas o que mesmo você escreveu?
- Nada, só meu nome ao lado do da minha namorada com um coração em volta.
- Certo, menos mal... quer dizer... então tá bom.
                Os dois ficaram mais um tempo ali e logo Lucas foi embora, queria ver a namorada, parece que estava querendo pedi-la em casamento e ao que Giulian conhecia do poder da pena, a menina aceitaria. Lembrou-se da cicatriz ao senti-la arder e acessou a internet para pesquisar casos onde uma ferida em sonho é somatizada, trazida do sonho para a vida real.
                Sites e mais sites sobre diversos assuntos, médicos dizendo que problemas psicológicos podem lhe trazer problemas físicos, fóruns religiosos dizendo desde “... isso é coisa do inimigo...” até “... pode ser uma mensagem...” e por fim um site que foi de utilidade, dizia que se o sonho foi com um espirito que te feriu e logo a ferida surgiu em seu copo físico, pode ser que esse espirito esteja preso a algo que você possui, que você deve se atentar especificamente a objetos adquiridos recentemente. Giulian logo soube do que se tratava e voltou àquele site que contava sobre o faraó.
- Só pode ser isto, mas e agora? O que eu faço se estes itens estão amaldiçoados? Como dois objetos, supostamente criados por Deuses, poderiam ser amaldiçoados por um faraó que não tinha nenhum poder? – Ficando totalmente sem respostas, o garoto resolve procurar alguém que entende do assunto.
                Em um papel Giulian escreveu “Quero que o Professor Lucas Maldonado, antigo portador destes objetos, entre em contato comigo”. Após cinco minutos o celular do menino toca, é o professor.
- Professor Maldonado, meu nome é Giulian, sou o atual portador de dois objetos que quero entender, preciso conversar com o senhor.
- Porque estou te ligando? Eu te conheço? Meu Deus, não me diga que é a pen...
- Isso mesmo professor, é a pena e o envelope.
- Não diga isso nunca, nunca complete os nomes, nossos telefones podem estar grampeados, muitos procuram estes objetos, vamos nos falar pessoalmente, me encontre amanhã onde eu estiver, no horário que eu escolher, pergunte a quem saberá responder.
- Certo, obrigado professor.
                No dia seguinte, ainda de manhã, Giulian escreve que quer saber onde encontrar o professor e em qual horário, coloca o papel no envelope e logo tem uma resposta. Edificio Village, ap. 1102, 11º andar, às 14:00hrs.
                No local marcado, na hora exata, Giulian se encontra com Lucas Maldonado e decide perguntar tudo sobre os itens, a conversa durou tempo suficiente para Giulian se atrasar pro trabalho, mas ninguém percebeu. Com muitas coisas na cabeça o garoto só se lembrava de uma coisa que o professor lhe disse, para fingir que esses itens não existem, guardá-los em um local seguro, um cofre seria uma boa ideia, quanto mais perto mantê-los, mais perto o faraó estará. Na civilização atual só há espaço para um Deus e ele não se chama Murã ou Turã, ele não poderá ajudar contra o poder do faraó.
                A partir deste dia a vida de Giulian mudou drasticamente, de viciado em jogos, se tornou um pesquisador, passou a procurar tudo sobre estes itens e os usou apenas para financiar suas pesquisas, muitas coisas serão descobertas com o tempo, inclusive que Lucas Maldonado não é quem ele diz ser e que sua esposa não lhe botou para fora de casa por causa de suas pesquisas.
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