7 de dezembro de 2010

A Pena e a Carta dos Deuses (Cap. 1 - Dos games para a vida).

                Giulian estava outro dia andando pela rua, voltando de seu tedioso trabalho, quando assistiu uma cena onde a mulher despejava o marido de casa, jogando suas roupas todas no chão e gritando algo do tipo: “Fique com sua história e me deixe com a minha vida”.
                A mulher continuava a arremessar coisas de dentro da casa, até que jogou uma maleta prateada que se abriu com o impacto no chão. Várias coisas saíram de dentro da maleta, o homem ia logo catando tudo o que conseguia, como se estivesse correndo risco de morte ao perder qualquer uma daquelas coisas, mas algo havia ficado para trás.
                Giulian seguiu seu caminho para casa, após uma quadra um envelope velho e todo desgastado colou em seu rosto com o sopro do vento, ele assustou na hora, mas pegou o papel e o jogou de lado, nem se preocupando com o que era.
                Eram aproximadamente 19:30hrs quando viu a cena e exatamente 20:30hrs um amigo bate na casa de Giulian para lhe entregar um envelope que viu caindo de sua mochila, ao pegar o papel se lembrou que era o mesmo que colou em seu rosto, achou estranho e resolveu pegá-lo, depois o amigo foi embora.
                O rapaz abriu aquele envelope velho sobre a mesa da sala, não havia nenhuma carta dentro, apenas alguns símbolos que pareciam hieróglifos gravados com uma tinta envelhecida na parte superior do envelope. Tentou descobrir o que significavam os desenhos e não encontrou nada de útil.
                Após olhar todos os cantos daquele envelope ele o fechou e magicamente um bordão de cera com um “T” gravado surgiu selando a carta, após um minuto o selo sumiu novamente virando pó sobre o papel, mas dentro do envelope surgiu uma carta com a seguinte mensagem.

“Por segurança o portador destes objetos deve manter sempre em suas mãos um
papel escrito pela Pena de Turã a seguinte mensagem ‘Quero que quem estiver me perseguindo seja eliminado’. Sentindo a necessidade de usá-la, basta colocar o papel no envelope de Murã.
PeH. LM”

                Giulian ficou preocupado e ao mesmo tempo obcecado por estar diante de um item que parecia ser mágico e ele era um rapaz muito sonhador, viciado em jogos de computador, aquilo, para ele, era tudo o que alguém poderia querer mesmo sem saber absolutamente nada sobre o envelope e muito menos sobre a tal Pena de Turã.
                A vida do garoto continuava normal, pesquisando tudo sobre os símbolos, trabalhando, estudando e jogando. Duas semanas depois de receber o envelope ele estava voltando novamente do trabalho e passou em frente da casa que no outro dia a esposa expulsava o marido, ele olhou para a casa lembrando-se da cena e logo a mulher saiu da casa e o chamou.
- Ei, menino, vem aqui. – Grita a mulher.
- Desculpe senhora, é comigo?
- Não, é com aquele outro garoto ali do seu lado. É lógico que é com você, vê mais alguém na rua? – Giulian percebeu que estava sozinho na rua.
- O que a senhora quer? – Pergunta o garoto sem jeito e se aproximando.
- Outro dia você viu a minha briga com o meu ex-marido né? Queria te dar uma coisa que era dele, mas que ficou aqui em casa, ele dizia que era mágico, pegue pra você, não quero nada daquele historiador louco aqui em casa.
- Mas senh...
- Nada de senhora, venha aqui e pegue isso pra você. – Fala a mulher entregando uma pena ao menino.
- Obrigado senhora, sabe me dizer o que isso fazia que ele a considerava mágico?
- Parece que se escrever qualquer coisa com ela, o desejo se realiza, mas comigo não funcionou não, escrevi que ele morria caindo da um prédio. – A mulher demonstra muita raiva no seu tom.
- Ok, vou indo então, obrigado senhora.
                Giulian segue seu caminho pra casa, espantado porque aquilo tudo estaria acontecendo com ele, primeiro o envelope que chegou estranhamente e agora essa pena que a mulher disse que é mágica e por fim o fato de que o antigo dono da pena era historiador, isso deu uma idéia para o rapaz.
                Acessou a internet em uma pagina de pesquisa, procurou por muito tempo sobre pena mágica na história e encontrou uma página que fala sobre artefatos que são supostamente amaldiçoados ou abençoados pelos Deuses, neste site ele encontrou o seguinte texto:

“Um antigo faraó que possuía o dom de prever o futuro começou a usá-lo de forma errada, causando muitos danos aos egípcios. O Deus Turã achou conveniente que o homem não tivesse mais aquele dom e o removeu do faraó.
Muito tempo depois o faraó pediu aos Deuses que lhe dessem novamente os seus poderes, que só usaria para o bem dessa vez, mas a única coisa que conseguiu foi um item abençoado, onde ele não teria como prever o futuro, mas poderia ajudar a construí-lo. Era uma pena que sempre teria tinta e tudo o que dela fosse escrito se tornaria realidade, mas o faraó foi avisado de que essa pena só funcionaria com desejos vindo do coração e que beneficiassem a todos, nada que causasse mal seria realizado.
O faraó ficou muito agradecido com o Deus e como forma de oferenda escreveu o nome de cinco pessoas em um pergaminho e ao lado o desejo de que aquelas pessoas passassem a seguir o Deus Turã.
A Deusa Murã, irmã gêmea de Turã, ficou incomodada com a atitude de seu irmão, pois isso só traria o bem, deixaria o mundo desequilibrado, então criou um envelope amaldiçoado, onde qualquer desejo negativo que fosse escrito pela pena poderia ser realizado se o papel fosse colocado no envelope e fechado.
O faraó com toda sua arrogância e ganância adorou o presente, e como oferenda pegou o pergaminho onde havia escrito o nome das cinco pessoas e riscou o desejo de seguir ao Deus Turã, ao lado escreveu que desejava que elas morressem por Murã, colocou o papel no envelope e logo as cinco foram se suicidando de formas aleatórias.
O Deus Turã e a Deusa Murã consideraram seus atos impróprios, pois o envelope e a pena serviriam apenas para manter um equilíbrio do bem e do mal e não para ser usado de forma deliberada, então levaram o espírito do faraó como pagamento por seus atos e separaram os itens escondendo-os.
Até hoje a pena e a carta dos Deuses continuam por aí, perdidos em algum lugar no Egito.”

 Giulian sabia que esses itens não estavam perdidos no Egito e sim em suas mãos, não sabia o que fazer, então começou a usar de forma simples, fazendo doações de cesta básica para os que passam fome e também conseguindo algum dinheiro para a própria família.
                Durante os dias que se sucederam o garoto teve uma idéia, escreveu uma carta desejando descobrir como aqueles itens foram parar em suas mãos, mas como esperado não foi realizado, então Giulian colocou a carta no envelope e o fechou. Um minuto se passou e ao abrir o envelope havia um papel velho, acinzentado e mal dobrado, ele pegou o papel e abriu para ler o que havia escrito.

“Desejo que a Pena e a Carta dos Deuses sejam entregues a alguém de coração puro e de qualquer forma que sejam mantidas com essa pessoa.
Informar ao portador para sempre deixar escrito em um papel a mensagem ‘Quero que quem estiver me perseguindo seja eliminado’ para evitar qualquer problema de roubarem estes itens.
Professor e Historiador Lucas Maldonado.”

Giulian lembrou de que deveria escrever aquele recado em um papel, então o fez rapidamente e manteve sempre em seu bolso ou carteira, depois começou a realizou grandes ações beneficentes com aqueles itens, mas certo dia apareceu em sua porta um homem portando duas armas na cintura e em questão de segundos o garoto tirou aquele papel do bolso de trás de sua calça e o homem sacou suas armas, mas Giulian conseguiu colocar o papel no envelope antes de ser atingido. Um dos tiros disparados pelo homem ricocheteou e atingiu a própria cabeça, morreu na hora. Foi uma bagunça com a policia ali investigando e o garoto fingindo não saber de nada, mas tudo foi resolvido.
Giulian agora sustentava o peso em sua consciência e também o fardo de carregar dois objetos que trariam muitos problemas, pelo que pôde perceber!

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