24 de dezembro de 2010

Magia do Natal!

                Era uma vez...
                Evelin, uma criança órfã, sempre muito bem educada e sonhadora, acreditava em Papai Noel e Monstro do Armário, a menina tinha uma mente brilhante. Sua mãe morreu no parto e o pai nunca foi visto, abandonara a criança ao que todos pensavam.
                Certo dia ela ouviu os diretores do orfanato dizendo que não conseguiram recursos para presentear as crianças e elas deixariam de acreditar no Papai Noel. Ela correu e perguntou para sua tutora sobre o Papai Noel e lhe contaram a verdade, isso a deixou muito triste, pois lembrou que não tinha pai nem mãe, só a esperança que agora acabara, então a menina com 12 anos resolveu que não seria legal acabar com os sonhos das outras crianças do orfanato e começou a ter idéias de como reviver essa magia, mas não esperava que a magia se voltaria para ela.
                No dia 1º de Dezembro Evelin escreveu uma cartinha para o suposto Papai Noel, postando para um endereço inventado, esperando que alguém a lesse, com a seguinte mensagem:

Querido amigo que estiver lendo esta carta.
Hoje tenho 12 anos e já sei que o Papai Noel não existe, sou órfã, meu pai sumiu e minha mãe morreu no parto, o nome dela era Rita Vasconcelos. Moro no Lar Doce de Criança, mas estamos sem recursos e neste natal não receberemos presentes, foi quando me contaram que Papai Noel era só uma lenda.
Fiquei muito triste e magoada por saber que acreditava em uma mentira, mas logo percebi que aquilo não era uma mentira e sim MAGIA.
A magia que faz as crianças esperarem tanto essa data, a magia que faz os adultos agradarem seus filhos, a magia que me fez estar pedindo essa doação de presentes para alguém que não sei nem quem é, fazendo o que sempre aprendi a não fazer, falando com um estranho.
Por favor, me ajude a manter a magia viva neste dia para as 42 crianças do orfanato, eu agradeço muito e espero que consiga me ajudar.
Meu nome é Evelin Vasconcelos.
Obrigado!”

A carta foi deixada em uma caixa postal e recolhida pelo carteiro da região, que ao pegar a carta, leu o remetente e a ignorou, jogando na rua, mas uma senhora que passava na rua viu aquela cena e foi olhar a carta, achou o desinteresse do carteiro um cúmulo e resolveu lê-la.
Ficou emocionada e comovida, uma criança de 12 anos, sem pai nem mãe, agora até desanimada com o que descobriu ainda tinha forças para tentar ajudar os amiguinhos do orfanato. A senhora resolveu ajudar a pequena menina, buscou informações sobre o Lar Doce de Criança e descobriu exatamente onde ficava.
A senhora começara a arrecadar fundos com os vizinhos, brinquedos velhos e roupas, sempre fazendo questão que lessem a carta, confirmando a caligrafia desajeitada de uma criança, até que encontrou na vizinhança um marceneiro que tinha vários brinquedos de madeira, caminhões, carros, bicicletas, tudo feito pelas suas próprias mãos, ele se chamava Ramón.
O homem leu a carta, sentou e desatou em lágrimas. A senhora, preocupada, perguntou se ele estava bem, logo ele lhe contou que acabou de encontrar a filha que sempre procurou, mas como não tinha condições ficava muito difícil, mas o destino havia feito isso por ele.
O homem então falou para a senhora não procurar mais ajuda, ele mesmo faria um brinquedo para cada uma das 42 crianças e o melhor, faria questão de encontrar a filha no dia do natal, não antes, pois teria muito trabalho para fazer.
Emocionado Ramón trabalhava como nunca, 20 horas por dia ou mais, gastava o dinheiro que não tinha comprando material e prometia pagar no mês seguinte, mas sabia que não teria condições, o importante era saber que encontrou, aos 12 anos, a filha que tanto procurara. Sentia muito orgulho de poder ajudar tantas crianças e principalmente o orfanato que pelo visto havia cuidado muito bem de Evelin.
No dia 24 de dezembro uma carta foi deixada em frente ao orfanato e a diretora pegou-a e viu que era para a Evelin, mas como regra da casa ela deveria ler o que estava escrito, por segurança. A mulher leu a seguinte mensagem:

“Papai Noel realmente não existe, infelizmente, mas acredite na MAGIA, pois ela me presenteou. Seu pedido será atendido.”

Sem entender muito bem o que estava acontecendo, a diretora entregou a carta para a menininha, que lhe deu um abraço bem forte e chorou.
Madalena, uma mulher que perdeu três filhos em um acidente e passou a se dedicar ao orfanato, estava muito triste com a noticia que não poderiam presentear as crianças, até adotou uma das crianças, mas na madrugada do dia 24 para 25 o telefone tocou na sala da diretoria, ela estava de plantão e por dez minutos ficou conversando ao telefone e sorrindo, algumas lágrimas haviam escorrido em seu rosto.
No hall de entrada do orfanato, uma Árvore de Natal imensa e toda decorada, caixas de presentes que ultrapassavam o número de crianças citadas na carta e um homem vestido de Papai Noel.
Quando todas as crianças acordaram, inclusive a Evelin, ficaram espantadas com a beleza e a magia que aquele momento lhes proporcionava, até os adultos se comoveram e choraram ao ver as crianças felizes correndo para abraçar o Papai Noel e a única que ficava parada era ela, a menina que estava muito feliz por tudo, ficara completamente paralisada.
Quando o Papai Noel viu aquela menininha parada, moreninha de olhos castanhos e cabelos lisos que ficava olhando atentamente para ele, reconheceu-a, era sua filha e ela por algum motivo sentiu uma ligação com aquele homem, então ele se aproximou dela e da diretora e lhe disse:
- Evelin, você escreveu aquela carta, foi o motivo de todas as crianças estarem felizes, foi o motivo de reviver uma magia que eu mesmo já não acreditava, então como recompensa eu também estou aqui, lhe dando o direito de acreditar em magia, acreditar em felicidade e o melhor, pode não acreditar em Papai Noel, mas pode acreditar em mim, pois sou seu pai. – O Homem falou isso enquanto tirava seu gorro e sua barba, longe dos olhares das outras crianças ele chorou.
- Como assim você é meu pai?
- Filha, eu te procurei por muito tempo, sua mãe estava muito doente e ninguém acreditava que você conseguiria nascer, então ela não quis que eu a visse morrer. Ela fugiu e foi parar em uma fazenda onde havia uma curandeira. A mulher ajudou a realizar seu parto, a sua mãe infelizmente não suportou, mas você está aqui, viva. Eu soube de tudo porque havia uma carta nas mãos de sua mãe dizendo para que caso a filha vivesse, ela deveria se chamar Evelin, era o nome que eu sempre quis colocar em você. Mas neste mesmo papel havia um telefone e um nome, ela havia usado um cartão de visitas meu para escrever o que queria. – O homem chorou mais um pouco, enxugou suas lágrimas na fantasia vermelha e continuou. – Infelizmente eu não tinha mais aquele número de celular, então lhe colocaram para adoção por não conseguir contato com ninguém. Um dia, sem motivos, liguei aquele aparelho de celular novamente e havia mensagens de voz, ao ouvi-las eu me surpreendi, mas infelizmente era tarde, haviam se passado meses do contato. Eu te procurei por muito tempo, mas sem sucesso, então a sua crença na magia do natal mesmo desanimada por saber que não existia Papai Noel, foi muito forte e levou aquela carta até mim. Estou aqui, como papai e como Papai Noel.
A menina nem falou nada, simplesmente abraçou o homem e começou a chorar, a diretora que estava ao lado também se emocionou e já perguntou o que o homem faria, então ele respondeu simplesmente o seguinte:
- Levarei minha filha para a casa dela, para o lugar que ela pertence e como percebo as necessidades de vocês também irei adotar outra criança, alguém que a própria Evelin escolherá. Você não sabe o quanto eu esperei por você minha filha.
- Eu também pa... papai... – Então o ambiente foi tomado por lágrimas e emoção.
- Mas agora que já sabe, preciso me vestir de novo para continuarmos o natal e a magia. Temos muitas crianças para alegrar ainda.
A partir deste dia Evelin não acreditava mais em Papai Noel, mas acreditava em magia, e agora tinha um pai. Foi feliz pelo resto de sua vida, com seu irmão adotivo.
As dívidas que Ramón acumulou naquele mês foram muitas e ele sofreu um pouco no começo do ano seguinte, mas logo um grande benfeitor descobriu o que o rapaz havia passado e o ajudou. colocou-o em um destes programas de auditório onde conseguiram doações tanto para aliviá-lo de suas dívidas como para beneficiar o Lar Doce de Criança.
Evelin escreveu uma carta para cada criança do orfanato dois anos depois, exatamente no dia 25 de Dezembro, com a seguinte mensagem.

“Eu já morei aí coleguinhas, já estive correndo por todos estes corredores como vocês fazem hoje, mas hoje, graças a Magia do Natal e graças ao Papai Noel, eu tenho um pai, eu sou feliz e tenho um irmão que também foi adotado do Lar Doce de Criança.
Se vocês acreditam em Magia, continuem acreditando, para quem não acredita eu digo, ela existe e ela mudou a minha vida, permita que ela preencha a sua vida e com certeza ela fará de você o que você deseja ser, o que todos desejam ser. FELIZES.
Um grande abraço pra todos vocês colegas e espero um dia poder fazer por pessoas como nós o mesmo que fizeram por mim.
Um feliz natal para todos e que a magia esteja presente!”

UM FELIZ NATAL PARA TODOS, CRENTES OU NÃO EM MAGIA, MAS QUE COM CERTEZA SERÃO PRESENTEADOS COM ESSA BELEZA QUE É O NATAL!
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