9 de outubro de 2010

O Cair do Véu (Cap. 4 - Prazer, Simbio!)


                Sentia cheiro de flores, uma brisa suave tocava o meu rosto e uma claridade que não se via na cidade, era tudo muito perfeito, acordei sem saber onde estava.
                Comecei a caminhar, perdido e sozinho, não via nada nem ninguém, eu devia estar no paraíso. Comecei até a me sentir mais livre e percebi que conseguia dar pulos mais altos do que o normal, então confirmei, eu morri e estou no paraíso.
                Fiquei por horas correndo e olhando tudo naquela floresta em que me encontrava, descobri uma praia ali por perto e era tudo muito bonito.
Logo um helicóptero começa a sobrevoar a região e dele saltam três pessoas com uniformes pesados e coletes, armados e preparados para uma possível guerra, se ali era o paraíso, eu não morreria, então resolvi segui-los aproveitando as árvores para me esconder.
                Durante um tempo fiquei preocupado achando que estavam me procurando, mas logo os vi capturando um macaco, em seguida outro e no terceiro, ao atingirem um sedativo no animal, comecei a me sentir mal e com tontura, mas logo passou e percebi que eu estava preocupado com aquele macaco, porque até ouvia suas suplicas por ajuda ecoando em minha mente.
                Soube o que tinha que fazer, comecei a preparar armadilhas com o pouco conhecimento que tinha, jogando pedras para que eles se distraíssem e em seguida comecei a assustá-los, fazendo barulhos e movimentos em vários lugares, neste momento percebi que conseguia ser muito veloz na hora de correr e muito ágil também, comecei a achar estranho e já sabia que não estava no céu.
                Quando os três se separaram para saber o que os estava rondando eu comecei a pegar um por um, subi em uma árvore e pulei sobre um deles, consegui tomar sua arma de dardos tranqüilizantes e já usei nele mesmo.
                Ainda ali por perto vi outro cara andando e com o olho na mira de sua arma, mas de costas para mim, então mirei nele e o atingi com o ultimo dardo da arma. Me escondi logo em seguida pensando em como desmaiar o terceiro e poder soltar os animais, mas logo que resolvi sair do esconderijo desviei no susto de um dardo, vi que ele já tinha me encontrado.
                Em seu colete estava escrito o nome “Ehcos 0234” e o tipo sanguíneo, imaginei que fosse de alguma força tarefa, mas eles não pareciam nem um pouco sociáveis. Corri o mais rápido que pude e consegui alcançá-lo antes que carregasse sua arma novamente, dei um soco de baixo para cima em seu nariz, como um gancho, que o desacordou.
                Imediatamente fui soltar os animais que ainda estava dormindo e prender os homens de forma mais segura, mas logo o rádio de um deles começa a falar e percebi que todos tinham o mesmo nome, mudando apenas a numeração que o seguia.
- Ehcos 0317. Confirme posição e andamento da missão, câmbio. – Após dez segundos contados. – Ehcos 0317. Confirme posição e andamento da missão, câmbio.
                Sem saber o que fazer, apenas peguei os animais e saí correndo dali imediatamente com apenas uma faca que estava com um dos homens. Fui para o mais longe possível, quando ouvi novamente o helicóptero e fiquei olhando para saber o que iam fazer.
                Apesar de já ter imaginado que seria assim me surpreendi com a precisão do helicóptero em parar no local onde deixei os três homens amarrados, novamente desceram homens, mas desta vez eram apenas dois pelo que consegui ver, em seguida subiu apenas um com os três desmaiados presos à corda e o helicóptero começou a sobrevoar a mata, provavelmente agora era me procurando.
                Consegui um lugar para me esconder, parecia um buraco no chão anteriormente projetado, e levei os animais comigo, quando percebi que reconhecia o lugar, me lembrei de alguns flashes de coisas que aconteceram, alguns lampejos de memória perdida que logo iam tomando forma. Consegui me lembrar que ali tinha suprimentos e um telefone móvel de longo alcance para eu chamar alguém, até então não me lembrava, mas logo acionei o telefone e disquei o número que estava anotado em um papel.
- Alô, quem fala? Estou aqui no meio do mato, tem gente atrás de mim, tentaram capturar uns macacos e consegui surpreendê-los, mas ainda tem alguém me procurando e rondando com um helicóptero. – Não conseguia nem respirar falando tudo o que se passava.
- Ok! Estamos a caminho, mantenha-se seguro. – O telefone foi desligado sem nem ao menos saber com quem eu estava falando, apenas tinha a certeza que era uma salvação e uma voz conhecida de homem.
                Comecei a ouvir barulho próximo do meu esconderijo e algo me dizia para manter os animais seguros, tomei a atitude de sair dali e despistar ou enfrentar aquela pessoa que me caçava. Não foi necessário eu me decidir, pois o destino havia feito isso por mim quando colocou um homem de 2,5 metros de altura e no mínimo 1,5 metros de largura de puro músculo bem na minha frente, sem armas de fogo, apenas o nome Ehcos 0021 tatuado à fogo em seu peito e um porrete de uns 60kg nas duas mãos.
                No começo eu estava preocupado, mas quando ele tentou me acertar o primeiro golpe, que por sorte errou e acabou derrubando uma árvore como se fosse uma folha de papel eu já não estava mais preocupado, eu estava aterrorizado. Se uma árvore caiu com tanta facilidade, o que ele não faria com a minha cabeça?
                Comecei a correr para bem longe do esconderijo e dos animais, desviei dos poucos golpes que tentou me acertar enquanto corria, por mais rápido que eu estivesse, mais rápido ele corria, tentei pular em uma árvore para despistá-lo, mas ele derrubou essa árvore também, já não sabia mais o que fazer, pensei que não havia outro jeito a não ser enfrentá-lo.
                Parei de frente para ele após ter tomado alguma distância e esperei ele vir pra cima com seu porrete cheio de seiva das árvores que acertou, no momento em que o golpe me atingiria eu dei uma cambalhota para trás e consegui impulso para pular em cima do porrete, assim consegui também alcançar os ombros daquele gigante, fiquei meio agachado em seus ombros dando porradas na sua cabeça, mas pareciam insignificantes.
                Ele ergueu novamente seu porrete e tentou bater em mim passando a arma bem próxima de sua cabeça, mas sempre com muita precisão. Para me esquivar eu jogava o corpo para trás, para as costas do gigante, prendendo minhas pernas no pescoço dele. Por duas ou três tentativas eu mantive a mesma técnica, mas na quarta tentativa de ataque eu apoiei os pés o ombro dele, lembrando que eu estava mais ágil e quando o porrete passou próximo de sua cabeça eu pulei em cima da arma, me machuquei um pouco por ter sido arremessado, mas consegui fazer com que ele mesmo se acertasse e então deu uma tonteada, deixou o porrete cair no chão e parou por alguns instantes.
                Aproveitei deste tempo, me levantei e corri em direção dele e pulei com os dois pés em seu peito, foi tiro e queda, queda mesmo. Um barulho e um breve abalo foram causados quando o gigante caiu. Fui verificar como estava e aparentava desmaiado, voltei para o meu esconderijo esperando a ajuda que mandariam, mas estava demorando.
                O helicóptero que circulava novamente parou sobrevoando o corpo e desceu uma pessoa com uma corda e o levou embora, mas desta vez ninguém mais havia descido.
                Após duas horas esperando, os animais acordavam aos poucos e o ultimo foi justamente o que me sentia ligado, quando voltaram para a floresta este macaco ficou comigo e eu ouvi em minha mente alguns sussurros dizendo que não sairia mais de perto de mim.
                Meus pensamentos foram interrompidos por Canis, que chegou acompanhado de Heliaca e Lacrau e seus respectivos animais.
- Meu querido Gabriel, agora deverá escolher qual o nome do se animal e ele escolherá o seu nome também, é o que falta para concretizar sua ligação.
- Como assim meu nome? E como assim meu animal?
- Assim como nós, agora você é um dominador. Descobrimos que havia um animal nesta floresta com o poder que os nossos animais tinham, de se ligar a um humano dando-lhe poder e servindo de fiel companheiro, procuramos mais a respeito e descobrimos que era um macaco, esse pequeno macaco branco é capaz de muitas coisas e é extremamente ágil como já deve ter percebido.
- Quer dizer que eu não morri aquele dia? Apenas quiseram me trazer para cá?
- Exatamente, até porque se estivesse morto nós não estaríamos conversando. Agora vamos embora antes que os Ehcos voltem.
- Como você sabe sobre eles Canis?
- Ehcos é diminutivo para Experimento Humano de Caça e Opressão aos Sobrenaturais, eles caçam para matar ou apreender seres como nós e nossos animais para estudos. Foram criados para serem muito fortes ou ágeis, entre outros aspectos que os beneficie de alguma forma. Pelo visto já teve um bom entrosamento com eles.
- Tive sim, e foi ótimo, você nem imagina. Agora vamos sair daqui que esse lugar ta me assustando.
- Antes de ir embora precisa dar um nome ao seu animal e ouvir o nome que ele lhe der.
- Sim Heliaca, já estive pensando nisso enquanto conversávamos, decidi chamá-lo de Simbio. – Neste momento me veio à mente o Simbio falando comigo.
- Obrigado pelo nome. Você tem muita vontade e determinação, eu não poderia ter escolhido melhor companheiro. Seu nome será Primata.
- Acho que ele escolheu Primata para mim. – Menciono o nome que me foi dado, para que todos soubessem.
- Então Primata, é hora de partirmos. – Diz Lacrau – No caminho contamos toda a história.
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