26 de julho de 2010

O Cair do Véu (Cap. 1 - Primeiro Contato)



O que contarei agora é um fato ocorrido na pequena cidade de Miranda, durante o assustador período do Dia das Bruxas.
Nesta época, muito mais do que bruxas estão à solta nas cidades e aqui lhes contarei como foi minha primeira experiência ao ficar frente a frente com o mais temido dos seres sobrenaturais, o Lobisomem.
Continuem sua leitura e se surpreendam com o que o mundo ainda pode nos mostrar.
Durante a época de halloween muitas histórias são contadas e inventadas para deixar o dia mais tenso, para fazer a cabeça das pessoas imaginarem o que pode estar escondido nos matos ou atrás de suas próprias sombras.
Neste período, na cidade de Miranda em Mato Grosso do Sul, surgiram várias histórias sobre a lenda do lobisomem. Alguns contavam que viram de longe, outros viram apenas a sombra do animal, mas houve um caso onde o ser atacou um grupo de amigos que jogavam pelada em um terreno, com sorte todos saíram vivos, aparentemente o animal apenas queria proteger seu território. Isso foi o que nos deu a idéia de que o animal vivia naquela velha estação de trem, bem no final da Avenida Afonso Pena, pois lá ficava o terreno onde o grupo foi atacado.
Essas histórias começaram alguns dias antes do Dia das Bruxas. Pelo que me lembre até foi contada a história de que alguém, indo para a festa de halloween, avistou o animal correndo, cruzando a rua onde caminhava.
Alguns dias depois, desacreditando de todas as histórias, eu e um amigo, que aqui chamarei de Biruta para preservar sua identidade, resolvemos que éramos machos o suficiente para encarar o lobisomem, decidimos ir até a estação, na noite de lua cheia, descobrir se lá vivia mesmo o ser que todos desacreditavam, mas temiam.
Caminhando pela avenida, com o coração acelerado e a imaginação a mil, eu e Biruta fomos nos aproximando da casa do lobisomem, muitos cachorros latiam e uivavam durante nossa ida à estação.
Chegando à entrada, havia uma guarita e uma grande árvore, que não me lembro ao certo, mas era bem alta. Tudo estava escuro e minhas mãos suavam, Biruta estava ao meu lado, andávamos em passos curtos e silenciosos, mas algo nos ouviu.
Em um curto período de tempo ocorreu a cena que agora dividirei em duas partes, a visão contada por Biruta e a visão contada por mim.
Biruta: “Eu ouvi um barulho e tive a reação de olhar para a árvore, quando percebi que ela estava balançando muito e vi algum tipo de animal chacoalhando-a para frente e para trás, como que para conseguir embalo o suficiente para pular longe. Em seguida ele se soltou da árvore e caiu em nossa direção, mas nem cheguei de vê-lo atingir o solo, saí correndo.”
Eu, Gabriel: “Eu ouvi o mesmo barulho de Biruta e resolvi olhar para o lado, quando de repente um ser enorme, de aproximadamente 2,5m de altura, corpo curvado e braços longos, como um gorila peludo, o focinho esticado como de um lobo e com as presas à mostra, atingiu o solo, erguendo-se logo em seguida e me encarou com seus olhos vermelhos. Olhei para o lado à procura de Biruta, mas ele já começara a correr e no mesmo instinto de sobrevivência resolvi correr também.”
Ambos disparados pela avenida. Todos os cachorros que antes latiam e uivavam estavam calados, não se ouvia um grilo sequer, apenas nossos gritos desesperados pedindo por ajuda. Os chinelos ficavam para trás e o medo aumentava cada vez mais.
Pensávamos que o animal estava nos seguindo, olhávamos para cima das casas, nos telhados e muros, mas não avistávamos nada, então nos acalmamos e resolvemos ir direto para a casa de uma amiga, que foi o nosso ponto de partida para essa aventura que só percebi depois que foi a mais idiota idéia do mundo.
Contamos tudo o que vimos, mas como era de se esperar, ninguém acreditou.
Esta história é para que sirva de lição. Se um dia te falarem que existe um monstro em algum lugar, não vai dar uma de macho não, fica bem quietinho no seu canto, porque se não existia, agora existe, ao menos na sua mente!
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