7 de janeiro de 2010

T2 - O tatuador terrorista!

Depois de vinte e dois anos de idade resolvi fazer minha primeira tatuagem, acreditem, demorei para decidir. Escolhi o tatuador e no dia e hora marcados eu compareci ao estúdio.

A tatuagem demorou quatro horas e meia para ser terminada e então fui embora e sentindo muita dor nas costas tentei me acalmar pensando: “Corno, desgraçado, me faz sentir uma dor filha da puta nas costas e o pior é que ainda tive que pagá-lo por isso”. Mas não foi o melhor consolo, só me causou mais dor, agora no bolso.

Após a minha tatuagem, ainda no estúdio, o tatuador me informou que morou no Líbano durante dez anos e achei muito interessante, pois deve ter sido uma boa experiência, exceto pelo fato de que ele aprendeu a tatuar por lá. Essa história me deixou meio “encafifado” e eu resolvi buscar algumas coisas na internet.

Após dias de pesquisa encontrei diversos trabalhos, diria que em torno de mais de três mil tatuagens, do mesmo autor, mas o que marcou foi que encontrei também uma ligação dele com grupos terroristas da Al Qaeda.

Nas buscas encontrei o seguinte texto:

“Foram identificados os responsáveis por criar o dispositivo de detonação e o explosivo líquido que pode ser misturado à qualquer outra substância, que de acordo com informantes seria usado para um ataque terrorista à diversos países como forma de demonstrar o poder da organização.”

A pior parte foi descobrir que um dos responsáveis compartilha do mesmo sobrenome do cara que me tatuou e para piorar ainda mais, ele havia comentado durante a sessão de tatuagem o nome do pai dele, que por sinal era exatamente igual ao deste terroristas.

Isso começou a me preocupar e comecei a vasculhar melhor pela internet e outros meios mais antigos de pesquisa e descobri que, mais ou menos, na época que o tatuador morou no Líbano foram realizados testes de homens bombas que não usavam explosivos plásticos no corpo ou em carros, como é de costume, e sim tatuagens com este explosivo líquido que inventaram misturado à tinta, assim o suicida poderia ir aonde quisesse sem medo de ser pego e simplesmente explodisse quando chegasse ao alvo.

Medo não, a partir daí comecei a sentir pavor. Tinha uma tatuagem no corpo realizada pelo filho de um dos terroristas que inventaram um liquido bomba, imagina só: “Eu andando feliz e contente pela rua quando de repente todos começam a explodir e inclusive eu, não seria legal. Lembrando que ele fez mais de três mil tatuagens.”

Diversas vezes visitei este possível terrorista, mas sempre com muita discrição, até que um dia ao chegar no estúdio vejo pelo vidro o rapaz misturando algo na vaselina que usaria para tatuar um homem de aparência suspeita, então pensei que havia deixado passar esse detalhe, não é na tinta e sim na vaselina que ele mistura o líquido bomba. Ainda à espreita e olhando tudo ouço alguns baixos resmungos dizendo algo parecido com: “Não, é bem simples, basta chegar no alvo e apert...”

Nesse momento o tatuador terrorista, agora conhecido por mim como T2, olhou para a porta de vidro e me viu olhando para ele tatuando o outro cara e conversando e em um surto repentino ele bate a porta da sala de tatuagens e fico com todo o estúdio, além da porta de vidro, me separando de ouvir ou ver qualquer coisa. Fui embora neste dia com a certeza de que morreria assim que ele decidisse detonar o alvo ou quando recebesse essa ordem dos seus superiores na organização terrorista.

Obcecado com o caso procurei ajuda com a polícia e simplesmente me ignoraram.

- Que coisa ridícula de tatuagem bomba, tatuador da Al Qaeda, T2. Filho é melhor você ir embora e descansar, você deve estar muito estressado, procure um psiquiatra para ajudá-lo. – Disse com ironia,

Ignorei o policial me dizendo tudo isso, pois eu tinha certeza, eu vi, ouvi e no fundo posso dizer que até senti, pois a dor de uma tatuagem não é pouca, ao menos não na coluna.

Alguns dias a mais se passam e meu pavor começa a ser notado por quem está a minha volta, porque com isso tenho evitado estar perto de todo mundo. Minha mãe me pergunta o que foi, quando respondo ouço a mesma coisa sempre. “Você é louco, isso é coisa daqueles americanos malucos por guerra.”

Postei diversos assuntos na internet sobre o meu problema e todos me dizem a mesma coisa também.

Quando percebi que tudo isso seria inútil resolvi agir por conta própria, comprei uma arma com alguns conhecidos, juntei diversas pesquisas que tinha feito e fui interrogar o T2 pessoalmente e sozinho.

A porta do estúdio estava trancada, arrombei a fechadura. Vasculhei todas as salas, mas não encontrei nada que o incriminasse. Continuei incessantemente com minha busca por provas enquanto o T2 não chegava. Entrei na sala de tatuagens e olhei todos os tubos de tintas, joguei tudo fora na pia, os tubos de vaselina eu também esvaziei no lixo e quebrei todos as máquinas de tatuagem dele, estava perplexo com a frieza com que age e com o fato de ninguém me dar atenção. Todos acham que sou louco, todos acham que isso só aconteceria no Estados Unidos, que nunca iriam querer nada com o Brasil, mas eu não preciso achar nada, apenas tenho certeza.

Em aproximadamente quarenta minutos de buscas o T2 chega e vê seu estúdio todo revirado, corre para a sala de tatuagens, de onde ouve barulhos e me encontra lá.

- Estava esperando por você seu terrorista psicopata, quero que você tire essa bomba do meu corpo agora mesmo.

- Como assim, que bomba, você ta ficando louco? Você destruiu todo o meu estúdio, o que você tem na cabeça?

- Na cabeça eu não tenho nada, mas nas costas eu tenho uma tatuagem bomba que você fez em mim. Estou aqui para acertar as contas com você e para que você tire esse negócio da minha costas.

- Olha meu amigo, desculpe, tatuagem é assim mesmo, não tem como remover. Entendo se tiver arrependido, mas não posso fazer nada por você. Não existe esse negócio de tatuagem bomba, não sei de onde tirou isso.

- Não sabe é? E o nome Ibrahin Mahalla te remete à alguma coisa?

- Sim, é o nome do meu pai. Por que?

- Porque foi ele que inventou uma bomba líquida para ser misturada à tatuagem, assim os homens bombas não seriam pegos por aí carregados de explosivos.

- Meu pai? Deixe-me ver essa reportagem, agora.

Então estendi o braço para lhe entregar os documentos impressos, mas ao invés de pegar apenas os papéis, T2 puxou meu braço e em um golpe conseguiu me desarmar e me imobilizar.

- Você acha que sabe tudo não é? Mas esqueceu que o Brasil nunca foi alvo de nenhum ataque, ninguém acreditaria em você, quem iria querer atacar um país que não faz nada? Esse é o pensamento de todos, por isso te ignoraram. Então decidiu vir pessoalmente e armado resolver a situação, não é? Seu heroizinho de meia tigela.

- Eu juro... – Engasgando com a pressão exercida sobre o pescoço - ...juro que vou acabar com você.

Enquanto isso algumas pessoas passam em frente ao estúdio e notam toda aquela bagunça, estranhando chamam a polícia, que aparece logo quando T2 se entrega dizendo:

- Eu faço o meu trabalho, aqui e para a minha organização, nunca fui incomodado. Porque logo você, um moleque de vinte e dois anos, vem me azucrinar? Me deixasse em paz, seria melhor para você, agora você vai morrer lentamente, melhor do que se explodisse, garanto que não sentiria nada.

- Porque atacar o Brasil então? Se não temos nada ou não fazemos nada contra vocês?

- Porque na verdade não estamos atacando vocês. Estamos usando vocês. Os brasileiros são o povo que mais vão para o exterior atrás de emprego ou turismo, principalmente os Estados Unidos, aquela terra de gordos e atrizes com silicones enormes. Queremos que vocês viagem para que ao visitar os pontos turísticos daquele lugar imundo, eu possa explodi-los eliminando assim, aos poucos, tudo o que resta de esperança para aquele povo.

Nesse momento a policia investe em uma entrada e segurando um celular, que estava com a função de gravar a voz do terrorista, o policial que me mandou procurar um psiquiatra dá voz de prisão ao T2 e o leva para a delegacia após me cumprimentar e se desculpar.

As tentativas de intimidar e tirar informações do T2 foram em vão, mesmo sob tortura ele não disse uma só palavra, foi então para a cadeia e lá morreu, esfaqueado por um dos preconceituosos psicopatas que habitavam aquelas celas.

Hoje, depois de três meses, ainda tenho minha tatuagem e tenho também o medo de vir à tona a idéia de explodirem meu corpo, por isso mais uma decisão eu tomei. Eu nunca irei para os Estados Unidos.

Essa história é totalmente fictícia, eu juro (risos).

Foi só uma idéia mirabolante que surgiu enquanto eu realmente tatuava minha primeira tatuagem.
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